O que ninguém conta sobre trabalhar atrás do balcão do bar

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Por Pati Palmieri Marconi

Existe uma certa romantização quando se fala de bar. Luz baixa, música boa, copo bonito, gente interessante. E sim, tudo isso faz parte. Mas existe um outro lado, aquele que não aparece no brinde, nem no story.

E tudo começa muito antes do bar abrir. Tem o famoso mise en place, a mesma lógica da cozinha, o pré-preparo. Só que no bar, ele ganha outra dimensão. E não é pouca coisa. São litros de limão espremido, xarope de açúcar sendo preparado, infusões, licores, frutas cortadas, gelo pronto, cerveja gelada… tudo no seu devido lugar. É uma engrenagem silenciosa que precisa estar afinada para que, quando o movimento começa, tudo flua quase sem pensar. Porque, na hora do serviço, não existe tempo para pensar, existe tempo para executar.

Eu costumo dizer que ser bartender está longe de ser só preparar um bom drink e sustentar um sorriso bonito. Isso é só a superfície. Por trás, existe um conjunto de habilidades muito mais amplo do que parece: organização, agilidade, atenção, memória, atendimento, concentração… e uma boa dose de jogo de cintura.

É uma profissão que vem crescendo, ganhando visibilidade, o que é ótimo, mas, junto com isso, também vem um desafio: nem todo mundo que se apresenta como bartender está, de fato, preparado. Hoje, é comum ver quem se autodenomina barman sem dominar o básico., coisas simples, como entender uma diluição 1:1, por exemplo. E sim… aqui no Mestizzo já cruzamos com algumas dessas figuras. Mas essa história fica pra outro dia.

Por trás daquele drink maravilhoso, há muito trabalho. Você já imaginou como é a rotina atrás do balcão do seu bar?
Fotos: Freepik

Por trás do balcão do bar…

Agora, vamos falar dos pedidos. Ah, os pedidos… nem sempre fazem sentido, e tudo bem. Já virou rotina traduzir desejos meio confusos em algo que funcione no copo. Porque ser bartender não é só seguir receita, é interpretar expectativa.

E sim, o erro acontece. Um drink derramado, um pedido que saiu errado, um tempo que estourou. A diferença nunca foi o erro em si, mas a forma de resolver. É aí que mora o profissionalismo de verdade, e a sintonia da equipe como um todo. Porque, no fim, bar não funciona sozinho, é cozinha, é salão, é ritmo compartilhado. Aqui no Mestizzo, a gente acredita muito no coletivo. Quando todo mundo encaixa, a operação vira quase uma coreografia, quando não… todo mundo sente.

E claro, nem sempre vem o reconhecimento. Ainda existe quem ache que é “só fazer drink”. Mas isso, aos poucos, está mudando. E quando vem um elogio, um obrigado sincero, um gesto simples isso faz uma diferença enorme.

Porque existe também o cansaço, aquele que ninguém vê. Horas em pé, ritmo acelerado, bar cheio, cabeça a mil e, ainda assim, sorriso no rosto. No fim do turno, no silêncio, fica a certeza: quem está do outro lado não quer saber se foi uma noite difícil, quer viver uma boa experiência e é isso que a gente entrega.

E é aí que tudo faz sentido. Porque isso é mais do que trabalho, é escolha, é entrega, é cuidado, e isso é a minha profissão, e eu tenho orgulho dela. Um orgulho que não cabe só no balcão, que transborda até quando eu paro pra escrever sobre isso.

No fim, trabalhar atrás do balcão nunca foi só sobre bebida, porque antes de qualquer drink… vem a experiência, dentro e fora do bar.

Quer sentir essa experiência comigo?

Pati Palmieri Marconi

Conversa fiada, um bom drink e um tira gosto, me chama que eu vou. Ahhh, mas também amo esportes de todas as formas. Sou mãe de menino e adoro fazer eles passarem vergonha na porta da escola kkkk.

Escrevo essa coluna assistindo ao US Open, um olho em cada tela e na mão um espumante Rose e já pensando no próximo cardápio de drinks do Mestizzo.

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