Envelhecimento da população impõe desafios urgentes às políticas públicas

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Por Márcia Huçulak

Os dados do Censo divulgados recentemente expuseram de maneira categórica os desafios das políticas públicas para a população idosa, cujo crescimento se acelerou nos últimos anos.
Atualmente, 10,9% da população total do país têm mais de 65 anos – são 22,2 milhões de pessoas, em uma proporção que é 57% maior da registrada no Censo de 2010. No Paraná quase 30% da população tem mais de 60 anos.

Como gestora pública, sempre tive o olhar para o envelhecimento saudável. A graça da vida é viver bastante e bem; o contrário traz grandes preocupações para as famílias e a sociedade.

Falamos pouco sobre o envelhecimento, ainda é um tabu.

O muito bem-vindo fato de que a população brasileira está vivendo mais impõe ações que o poder público não pode mais protelar – principalmente porque o ritmo de envelhecimento foi bastante acelerado, o que surpreendeu muitos especialistas, mas já era percebido na ponta do sistema de saúde.

Envelhecimento: boas práticas de saúde

Importante lembrar que boa parte da evolução da longevidade se deve às boas práticas de saúde pública, como a ampla vacinação – e fica aqui mais uma evidência concreta do verdadeiro crime que são as campanhas contra imunização promovidas por negacionistas da ciência.

De qualquer forma, o aumento da longevidade traz impactos importantes em várias frentes: sistema previdenciário, mercado de trabalho, serviços públicos, saúde (em seus variados aspectos), cultura, lazer, entre outras.

No Paraná, do total de pessoas com ocupação profissional, 6,9% tem mais de 60 anos. Esse é um dos dados que corroboram as mudanças em curso promovidas pelo aumento da expectativa de vida.

É urgente e necessário criar as condições adequadas para que a qualidade de vida nesse novo patamar seja plena e saudável.

Na área da saúde, embora muito se fale da promoção e prevenção, temos que acelerar programas e estratégias para incentivar a mudança de estilo de vida das pessoas.

As escolhas e renúncias de hoje moldam o nosso futuro. As evidências das escolhas que colocam vida nos anos vividos são inúmeras: prática de qualquer atividade física, alimentação adequada, diminuição do estresse, manutenção do peso.

Sabemos que a obesidade e o tabagismo são fatores de risco para muitas doenças, inclusive os cânceres. Mesmo assim muitos postergam ou preferem acreditar na sorte para evitar a mudança de hábitos de vida. Me parece que isso acontece porque alguns fatores de risco só aparecem no longo prazo.

Com o rápido crescimento da população idosa no Brasil e no Paraná, é preciso urgência nas políticas públicas, especialmente no preparo das cidades, famílias e da sociedade para acolher esse novo perfil de cidadãs e cidadãos.

Estamos falando aqui de melhorar a acessibilidade, a integração das políticas de saúde e assistência social, pois o fenômeno do envelhecimento no país vem acompanhado do isolamento de muitos idosos – problema associado, em muitas situações, ao empobrecimento.

Já temos uma sobrecarga do sistema de saúde com as suas inúmeras demandas, violência do trânsito e interpessoal, doenças infectocontagiosas, doenças crônicas, sem falar das emergências do dia a dia.

Se não tivermos uma mudança profunda no modelo de atenção vamos enfrentar um colapso assistencial e financeiro não só dos governos como das famílias.

Aumentar os recursos no modelo atual é fazer mais do mesmo.

O novo Censo traz em si inúmeras preocupações e a necessidade premente de repensar as políticas públicas para uma sociedade inclusiva, acolhedora e que cuida das pessoas.

Estamos, enfim, diante de um cenário desafiador e crucial para o país, com abordagens bastante variadas.
Voltarei ao tema em colunas futuras.

Nossos idosos merecem.

Márcia Huçulak

O envelhecimento da população requer políticas públicas mais eficazes, especialmente no preparo das cidades, famílias e sociedade
Divulgação/Alep

Como secretária de Saúde de Curitiba (2017/2022), liderou o enfrentamento da pandemia de covid-19 na capital – trabalho reconhecido nacionalmente. Formada em Enfermagem pela PUC-PR, tem mestrado em Planejamento de Saúde pela Universidade de Londres (Inglaterra) e especialização em Saúde Pública pela Fiocruz. Elegeu-se deputada estadual em 2022 pelo PSD, sendo a mulher mais bem votada do estado e a mais votada (entre homens e mulheres) de Curitiba. Encontre a Márcia Huçulak nas redes: site
www.marciahuculak.com.br; Instagram: @marciahuculak; Facebook: Márcia Huculak. Telefone gabinete: (41) 3350-4223.

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Ilustração: Canva

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