Por Ana Paula Barcellos
A série Love Story (a primeira temporada da antologia de Ryan Murphy, disponível no Disney+) está reacendendo o fascínio pelo casal dos anos 90: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette-Kennedy. Mas as imagens que realmente chamam atenção – e, eu diria, que valem a série – são as que mostram Carolyn caminhando com jeans bootcut e suéter preto básico, ou nos slip dresses pretos com óculos escuros oversized. Elas capturam exatamente o que está viralizando mais uma vez: o estilo dela, um minimalismo cheio de intenção que é a cara dos anos 90.

Carolyn construiu sua carreira na Calvin Klein, subindo de vendas para relações públicas, ajudando a definir a era CK One e incorporando o que hoje chamamos de quiet luxury antes do termo existir. Paleta neutra, proporções impecáveis, alfaiataria precisa, Yohji Yamamoto para um toque experimental, Prada, Helmut Lang. Era rigor nas escolhas: slip dresses fluidos, jeans Levi’s com corte perfeito, óculos marcantes. Em silêncio, tudo comunicava. Esse visual dialoga direto com as coleções atuais — Calvin Klein revisitada, o boom do understatement — e inspira looks que parecem effortless, sem esforço, mas são calculados.
Carolyn e o minimalismo intencional
O revival fashion faz sentido: o minimalismo intencional dela, com foco no “menos é mais”, é atemporal e acessível de um jeito sofisticado. E é o que a gente vê nas ruas e nas redes agora, impulsionado pela série.


Mas, apesar do hype da série, é preciso focar no essencial: o legado de Carolyn na moda e no trabalho. Porque o relacionamento, apesar do mito romântico vendido na época, carregava uma realidade bem mais complexa e pesada. Brigas públicas intensas — incluindo aquelas imagens famosas de discussões acaloradas no Central Park, que quase viravam agressão física —, ciclos de reconciliação dramáticos e indícios fortes de que o casamento estava no limite, possivelmente rumo ao divórcio, quando o acidente aconteceu em 1999. A fama esmagadora, o peso do sobrenome Kennedy e as diferenças pessoais criaram um ambiente volátil, longe da fantasia perfeita.



Por isso, o que vale celebrar é o talento de Carolyn como profissional da moda: visão estética precisa, influência duradoura no minimalismo que define gerações. A série serve para isso — admirar o tailoring neutro, o slip dress. Estilo sim, e apenas isso.

O que você está achando do revival? Usaria algum look inspirado na Carolyn Bessette?
Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate.
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