Jeans branco: sim ou não?

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Por Ana Paula Barcellos

Há tendências que ressurgem gloriosas, outras que insistem em voltar como fantasmas de um passado meio duvidoso. O jeans branco, atualmente em alta nas passarelas e feeds de Instagram, pertence a uma categoria diferente: é amado por alguns como símbolo de frescor e rejeitado por outros como peça sem alma – a quem vá para o extremo e classifique como cafona. Sua trajetória é marcada por polêmicas, e mesmo hoje, dividindo opiniões, ele carrega o peso de uma história fashion cheia de altos e baixos.

O jeans branco ressurgiu, nas passarelas e feeds do Instagram. Mas, com ele, só há duas vertentes: ou é amado ou rejeitado
Foto: Freepik

Nos anos 1970 e 1980, o jeans branco era sinônimo de ousadia. Associado ao glam rock e à estética disco, era usado por ícones como Farrah Fawcett e Mick Jagger como declaração de rebeldia. Nos anos 2000, virou febre entre celebridades em busca de um visual “casual-chique” — lembra das fotos de Paris Hilton com calças brancas justíssimas e óculos oversized? Mas sua popularidade sempre foi acompanhada de ressalvas. Enquanto estilistas o elogiavam por sua versatilidade (afinal, combina com cores vibrantes e tons neutros), críticos apontavam seu caráter “deslocado”: branco em um tecido rústico como o brim parecia um contrassenso.

Foto: Pixabay

Jeans branco repaginado

Hoje, o jeans branco volta repaginado: modelos baggy, com cintura alta ou detalhes destroyed tentam convencer o público de que a peça é atual, “descolada”. Influenciadores defendem que ele clareia o visual, que é mais leve para o verão, que serve como tela neutra para acessórios ousados e até faz parceria com a estética “clean girl”. Mas, para muitos — eu inclusa —, o debate permanece. Aos 13 anos, tive meu único jeans branco. Comprei influenciada por uma prima, foi uma vez para nunca mais. O branco apaga a personalidade do denim. Em vez de dar um ar despojado, a cor neutraliza a textura do brim, deixando a peça sem densidade visual. Parece um híbrido mal acabado entre uma calça de alfaiataria e um jeans que desbotou na lavanderia.

Foto: Freepik

Há questões práticas também. Branco acumula manchas, e no jeans — que já carrega uma aura de informalidade —, isso se torna ainda mais evidente. Enquanto o jeans azul ou preto adquirem personalidade com o desgaste, o branco envelhece mal, ganhando tons amarelados ou marcas de uso que mais parecem defeitos do que histórias.

Mas por que, então, ele persiste? A resposta talvez esteja na natureza cíclica da moda, que resgata peças não por sua funcionalidade, mas por sua capacidade de gerar engajamento. O jeans branco é polêmico. Ele desafia, provoca perguntas: “Elegante ou brega?”. Para seus defensores, essa ambiguidade é justamente o charme. Há quem o use com blazers oversized e tênis, criando contrastes deliberados, ou com cropped tops, apostando no minimalismo.

Foto: Freepik

No fim, o jeans branco é uma daquelas peças que dizem mais sobre quem veste do que sobre a própria moda. Enquanto alguns veem nele uma tela em branco para criar, outros — como eu — enxergam uma peça que tenta ser muitas coisas e não consegue ser nada. Talvez sua verdadeira função seja nos lembrar que a moda não precisa fazer sentido para todas as pessoas. Ela só precisa, mesmo que por uma estação, fazer alguém se sentir incrível. Mesmo que esse alguém não seja eu — ou você.

Foto principal: Pixabay

Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram Me siga no Instagram @experienciasdecabide @yopaulab

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