Se você achou que a coluna de hoje ia falar sobre a “crise das indústrias têxteis e de confecção”: errou. Vamos falar de ETARISMO.
O Etarismo, que é toda forma de discriminação relacionada à idade, tem resultados alarmantes nas pesquisas que envolvem demissão e contratação – lembrando que para estar inserido e ser considerado um indivíduo em nossa sociedade, esse indivíduo precisa estar ativo, pagando impostos, gerando renda: trabalhando. Desta renda ele vai subsidiar os itens básicos para viver como: habitação, comida, bebida e vestuário.
Então, excluir do mercado de trabalho toda uma geração, toda uma faixa etária ainda ativa é algo desumanizador. Tanto quanto não fortalecer políticas públicas para garantir a faixa etária que já cumpriu seu período ativo sem chamá-los de onerosos. Não é à toa que existe toda essa negação do envelhecer, essa doença do “ser eternamente jovem” que move indústrias de cremes, botox e práticas cirúrgicas… Existe um bombardeio de afirmações como: envelhecer te rouba o brilho, a alma, a personalidade.
Envelhecer lhe coloca no grupo de risco de uma doença grave, como o Coronavírus; envelhecer proíbe de praticar esportes, de ir para a balada, de comer doces e coisas gostosas, envelhecer lhe proíbe de dançar; proíbe de ser sensual, proíbe de ser bonita, de usar determinado tipo de roupa…. Envelhecer lhe proíbe de viver.

Essas afirmações são erradas, são estereótipos. O Vestuário não pode reforçar ideias tão limitantes. Suas Roupas precisam falar sobre suas crenças, sua forma de ver o mundo.
Quando você estiver escolhendo uma peça não diga “MINHA IDADE NÃO PERMITE” – por que não permitiria? Você passou uma vida gostando desse estilo, ele lhe faz bem, você se sente à vontade- não mude por um critério pautado na discriminação. Afirme-se!

Você não tem que parecer mais séria porque fez 30, 40 , 50 , 60 , 70 … 100 anos. Não tem que deixar de usar nada que gosta sob nenhum pretexto estético. Não tem que deixar de ir a lugares, desistir de começar um projeto novo, de aprender, de viver. Há algumas limitações, mas deixa os especialistas em saúde dizerem no que você deve maneirar.
O canal E! e o TV Land lançaram há um tempo o seriado: Younger – os 40 são os novos 20! Na época achei o slogan maravilhoso, até me deparar com o Instagram da Silvia Ruiz que retoma esse slogan fazendo a MELHOR correção: Os 40 são os novos 40! E assim sucessivamente para cada nova idade.

O Ponto é exatamente esse: Não temos que nos afirmar como mais jovens. Somos a idade que temos. Não precisamos deixar de usar make pesada, Cropped, calça cintura baixa, shorts, minissaias, cores, sneakers, estampas, nada! Ficamos mais exigente com qualidade x preço: ficamos. Temos menos urgência de trocar de look: sim, exatamente porque aprendemos mais sobre do que gostamos e as idas e vindas das tendências já não nos afetam.
Somos a geração que está inaugurando um novo estilo do que é ser essa idade que temos – indiferente do passado. Somos a ruptura! E temos a responsabilidade de não deixar que ninguém nos diga como nos comportar ou nos vestir. Ser “Velho” não é um problema, problema são os ditames, são estruturas sociais pautadas em estereótipos.

Para encerrar, observo que o etarismo também acontece no sentido oposto. Então, galera dos 30, 40 ,50 ,60 …100 não critiquem os mais jovens, não os desacreditem, não digam: “NOS MEUS TEMPOS!” Seu tempo também é o agora, e essa moçada também tem muito o que ensinar.
Sobre o Covid-19: seja contra o etarismo! Neste momento, todos devem ficar em casa.
Sobre a crise nas Indústrias têxteis e de confecção: quando a quarentena passar, compre de confecções locais, nacionais, deem preferência para as indústrias que geram renda e empregos na sua cidade.
Fotos: Reprodução da internet
Esther Eugenia Martins

Graduada em Moda pela UEL e Técnica em segurança do trabalho pelo Senac. Atuo no Mercado de Moda há 10 anos com ênfase em PCP e Desenvolvimento. Pesquisadora da contracultura, underground e estereótipos, amo as danças árabes, música, meditação, plantas e a bicharada. Minhas referências estéticas preferidas são a Art Nouveau e a Art Déco.

Uma resposta
Amei a reportagem sobre Etarismo, sou sexagenária, quase saindo…rsrsrs, mas como sempre vivi livre de opiniões alheias, me visto para agradar a mim, nunca aos outros, me dou esse direito. A rebeldia das primeiras décadas da minha vida, me ensinaram que, devo sempre agradar a mim, pois será comigo que estarei até o fim. Parabéns, Meninas, pelo incentivo de quebrar barreiras dos cabelos brancos. Beijosss