A gente realmente escolhe o que usa? E por que a gente se contenta com mais do mesmo se quer algo mais?

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É muito difícil fugir das tendências da Moda, isso é fato. Tanto para quem trabalha no segmento como para quem consome, não tem muito como fugir daquilo que o Mercado estabelece. Ao ler isso, você pode estar pensando que eu deveria estar falando sobre levar em consideração o que as/os clientes gostariam de ver, consumir, mas na prática não é bem assim que funciona. São os consumidores que adotam as tendências apresentadas pelo mercado, e não o contrário. A gente, inclusive, depende do que o mercado determina que é tendência para se vestir, para se calçar e se enfeitar.

Foto: Pinterest

Vocês já pararam para pensar em como são criadas as peças de roupas de algumas dessas lojas “finas” de shopping que não vendem modinha e que possuem fabricação própria? Pois bem, funciona mais ou menos assim: os fornecedores apresentam todos os tecidos disponíveis para a temporada, que costumam ser escolhidos com base no custo benefício. Depois de fechar a compra, estilista e modelista colocam todos os tecidos juntos e buscam uma unidade, algo que ligue o pano com as ideias que elas/eles têm. Só então tem início a pesquisa propriamente dita de referências e inspirações para a criação dos modelos.

As estampas e matérias-primas desses tecidos, claro, sofrem interferência do que sai “lá de cima”, é feito todo um estudo das tendências internacionais para a temporada. Ainda assim, quem vai usar esses tecidos para criar já está limitado pela escolha do Mercado. E isso vale para a maioria das marcas, que não consegue inovar tanto e sair tão fora da caixinha se quer realmente lucrar.

Uma conhecida que trabalhou numa loja dessas, bem famosinha, contou que certa vez escolheram um tecido que era horrível, simplesmente horrível, mas que compensava demais em termos de custo benefício. A justificativa dela: “era horrível mas ótimo de trabalhar e costurando pelo avesso, com o modelo certo, seria sucesso. É basicamente sobre isso.” O tecido horroroso virou vários vestidos e todos foram vendidos, não sobrou um!

Foto: Pinterest

Tudo isso pra dizer que a gente escolhe em parte, apenas, as roupas e acessórios que usa, né? A gente precisa escolher entre as opções que são oferecidas pelas lojas, que seguem o script do Mercado. E aqui, mais pra baixo, a tendência é a das peças fabricadas em série, para serem vendidas aos montes e usadas por muita gente. O resultado não poderia ser diferente: quase todas as marcas de roupas e acessórios vendem peças muito parecidas, tanto no material quanto no design.

E aí fica tudo muito padrão, sem emoção ou autenticidade. Como desenvolver de forma mais profunda um estilo pessoal com tanto mais do mesmo? Só recorrendo a peças de segunda mão (com limitações) ou confeccionando suas próprias!

Na loja, as peças que fazem mais sucesso são as diferentes – ou diferentonas, como as clientes chamam. As pessoas pedem por coisas diferenciadas, únicas, que possam valorizar sua roupa, seu cabelo, refletir sua identidade. Também ouço bastante essa queixa de que anda tudo muito igual por aí.

Foto: Pinterest

Se tem tanta procura, por que não tem oferta? E se ter coisas diferentes pode ser ainda mais legal, por que a gente continua se contentando com tanta mesmice? Pensamentos de um fim de semana inundado por perfis de Instagram com o mesmíssimo colar de coração. Vale a reflexão…

Ana Paula Barcellos

Escritora, mocinha do medalhão persa, marketeira e pesquisadora de tendências. Trabalha com as marcas Madame B., Maria Jujuba Rock e Pinacola.

Foto: Pinterest

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