Londrina foi a primeira cidade do Paraná a realizar uma nova técnica cirúrgica que recupera na sua totalidade a artéria coronária
O LONDRINENSE com assessoria
É constante pacientes chegarem no consultório e descobrirem que têm obstrução nas artérias, que impedem a passagem adequada do sangue. Normalmente se diz, que são placas de gordura, mas elas podem ser também de fibras e cálcio. E a calcificação das artérias não acontece de forma imediata, mas ao longo de anos, silenciosa, em uma acumulação constante e perigosa.
E considerando que o coração é um músculo, que bate umas 80 vezes por minuto, para manter esse ritmo, que pode ser comparado a um trabalho de atleta, é preciso manter oxigênio e energia de forma regular. E esse trabalho é feito pelas coronárias, e quando elas estão obstruídas a situação se complica, podendo levar a dor da angina ou infartos.
Com a longevidade é maior, o número de pessoas que apresentam calcificação nas artérias também é, e essas placas atrapalham a irrigação do coração. A passagem vai se tornando mais estreita com o tempo e as consequências podem ser graves.
O tratamento nesses quadros é liberar a passagem do sangue, e para isso são usados normalmente os chamados “stents” (prótese utilizada para restaurar o fluxo sanguíneo na artéria coronária), que são colocados por meio de uma angioplastia. O problema é que quando estão calcificadas, se acumulam nas paredes dos vasos, enrijecendo. Nesta situação é preciso dilatar o vaso que está duro, uma função que o stent não cumpre. Até a semana passada esses casos eram sempre delicados, e as soluções nem sempre ideais.
Mas um procedimento inédito, realizado pela primeira vez no Paraná, e o quarto no país, conhecido como ShockWave®️ IVL, trouxe uma tecnologia inovadora. Ela foi colocada em prática na Hemodinâmica do hospital Araucária pelos especialistas Dr. Douglas Grion e Edmilson Ishii, onde usando um ultrassom, foi possível “quebrar” esse cálcio acumulado na coronária.
A tecnologia é destinada a desobstruir artérias, porque quebra o cálcio coronário por meio da transmissão de ondas de pressão acústica, acabando com os cálcios acumulados na parede das artérias, permitindo a preparação para o implante do stent. Ela é feita via cateter e é indicada para casos de calcificação vascular alta ou extrema das artérias, que pode levar a um infarto, AVC e outros comprometimentos cardíacos.
“Em resumo estas ondas passam pelo tecido arterial e rompem a placa calcificada criando uma série de microfraturas. Uma vez que o cálcio foi quebrado, a artéria pode ser expandida com segurança a uma pressão muito baixa e um stent pode ser implantado para restaurar o fluxo sanguíneo com trauma mínimo para o tecido arterial normal”, diz Edmilson Ishii, especialista que realizou o procedimento.
Avanços com a tecnologia
Antes dessa tecnologia existiam limitações para dilatar a área obstruída e reestabelecer o fluxo sanguíneo. O desafio era chegar nas áreas comprometidas com segurança.
A biomédica Adriana Gouveia, especialista na tecnologia, destaca que a tecnologia permite ao paciente uma qualidade de vida maior, já que ocorre uma dilatação maior do vaso. “A técnica faz com que o vaso sanguíneo volte ao tamanho normal, antes mesmo da implantação de stents, isso não era possível antes, alcançávamos no máximo 2,5 mm e agora com essa tecnologia a artéria volta ao tamanho original, possibilitando uma passagem maior do sangue”, destaca.
Agora os cardiologistas intervencionistas poderão utilizar essa tecnologia, chamada de litotripsia. Ela chega ao Brasil ao mesmo tempo que no Japão, sendo nova também nos EUA e Europa. Sendo usada agora no coração, mas conhecida a muitos anos pelos urologistas para “quebra” de cálculos renais. De uma maneira simplificada é uma transmissão de ondas de pressão acústica pulsadas, com alta frequência.
Vantagens no novo tratamento
O novo tratamento traz mais segurança para o paciente, porque permite melhores condições para a desobstrução. “É uma técnica complementar aos demais procedimentos, mas com ele é possível que o stent consiga ter uma passagem maior do fluxo sanguíneo, isso é extremamente benéfico e reflete diretamente nas atividades realizadas pelo paciente que dessa forma não tenha um cansaço em excesso e até mesmo não necessite passar por outros procedimentos o que é mais comum em outro procedimentos”, destaca Ishii.
Segundo o médico é um procedimento de uma hora e meia, e em um dia o paciente já pode voltar para casa, e o principal, com as artérias livres para o fluxo de sangue.
Considerada uma tecnologia de ponta, complementar no procedimento de angioplastia coronária, já é aplicada em 60 países e tem certificação do FDA, CE Mark e ANVISA, sendo que já foram realizados mais 85.000 procedimentos ao redor do mundo.
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