Movimento vai apoiar cuidadoras de pessoas com demências

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Coletivo MuDe reúne profissionais comprometidas em liderar ações para suporte às mulheres que cuidam de pessoas com Alzheimer e outras demências

O LONDRINE̅NSE com assessoria

O coletivo MuDe – Mulheres pela Demência foi apresentado esta semana, durante a reunião do grupo empresarial BNI, no Iate Clube de Londrina. A iniciativa reúne mulheres de diferentes áreas — saúde, comunicação, pesquisa, cuidado e gestão pública — comprometidas em liderar ações para cuidadoras de pessoas com Alzheimer e outras demências, com visibilidade e suporte.

Segundo os dados mais recentes sobre a realidade dos cuidadores no Brasil, 93,6% das pessoas que cuidam de alguém com demência são mulheres, em sua maioria sem qualquer remuneração, apoio ou preparo técnico. O estudo, publicado pela revista Alzheimer’s & Dementia e conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revelou ainda que quase metade das cuidadoras abandona o trabalho para assumir essa função, e 85% relatam exaustão emocional constante.

Coletivo MuDe vai apoiar as mulheres cuidadoras de pessoas com demências como o Alzheimer. Um dos projeto é capacitação de mulheres para dar atendimento especializado
Elaine Mateus, coordenadora do coletivo MuDe – foto: Cristiano Nakajima

Treinamento e trabalho para cuidadoras especializadas

O MuDe surgiu para transformar essa realidade por meio de ações concretas e articulação social. O primeiro projeto do coletivo é o SEMEAR, que prevê a capacitação de mulheres em situação de vulnerabilidade social para atuarem no cuidado especializado de pessoas com demência. Durante o período de formação, essas mulheres receberão uma bolsa de estudos remunerada e, ao final, passarão a prestar serviços como cuidadoras, também com remuneração garantida pelo projeto.

O atendimento será gratuito para famílias de baixa renda, em que mulheres exercem o cuidado informal de um parente com demência — filhas, esposas, irmãs, noras — que cuidam sozinhas, sem nenhum tipo de amparo. A cuidadora formada pelo projeto irá até a casa dessa mulher, oferecendo de três a seis horas semanais de apoio presencial. O objetivo é garantir um tempo para autocuidado.

“Quem cuida sozinha de alguém com Alzheimer, muitas vezes, não tem tempo nem de tomar um banho demorado. O SEMEAR vem justamente para isso: para dar esse respiro e valorizar quem está nessa linha de frente invisível há tanto tempo”, afirmou Elaine Mateus, coordenadora do projeto, fundadora do Instituto Não Me Esqueças (INME) e presidente da Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz).

O MuDe está em fase de captação de recursos públicos e privados, com a meta de viabilizar a primeira turma de cuidadoras e o atendimento a pelo menos dez famílias de Londrina. Participaram do lançamento Marisol Chiesa, secretária da Família e Desenvolvimento Social de Londrina; Angela Tomasetti, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa; Ana Karina Anduchuka, diretora de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Secretaria Municipal do Idoso de Londrina; Sueli Galhardi, presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres; e Tâmara Caldeirão, do Núcleo Londrina do Grupo Mulheres do Brasil.

“Esse projeto dialoga com a realidade de muitas mulheres que, ao longo da vida, deixaram seus sonhos de lado para cuidar de alguém da família. Cuidam com amor, mas sem remuneração e com uma sobrecarga que ultrapassa qualquer jornada formal. Preparar essas mulheres para cuidar com mais tranquilidade e garantir a elas dignidade é uma missão justa e necessária. Quero estar junto, participar desse movimento”, afirmou Marisol Chiesa, secretária da Família e Desenvolvimento Social de Londrina.

Cerca de 60 empresárias e empresários do BNI acompanharam a apresentação da proposta. “Projetos como o SEMEAR têm espaço dentro do BNI porque nos conectam com propósitos maiores. Nossos membros podem contribuir de diferentes formas — com recursos, com conhecimento e com rede. O objetivo é gerar impacto real, conectando negócios a soluções para transformar a realidade”, afirmou Clarissa Santiago, diretora executiva da Regional Norte Paranaense da entidade.

Mais informações podem ser obtidas no Instituto Não Me Esqueças.

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Foto principal: Freepik

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