Por Marcelo Minka
Existe algo curiosamente melancólico nos aeroportos.
Milhares de pessoas cruzam corredores iluminados artificialmente, carregando malas, fones de ouvido, cafés apressados e olhares suspensos entre um destino e outro. São espaços criados para a circulação, não para a permanência. Lugares onde quase ninguém realmente está, apenas passam.
O antropólogo francês Marc Augé chamou esses ambientes de “não-lugares”: espaços de trânsito, consumo e deslocamento que definem a vida contemporânea. Aeroportos são o símbolo máximo dessa condição. E, ainda assim, nesses espaços impessoais, as pessoas carregam objetos profundamente íntimos.

Joia é permanência em não-lugares
Um anel herdado. Um colar comprado durante uma viagem importante. Uma peça usada há tantos anos que já se tornou extensão do próprio corpo. A joia existe justamente para isso: criar permanência em meio a lugares de trânsito.
Na Angatu, as peças nascem dessa ideia. Não são apenas ornamentos, mas marcos emocionais capazes de acompanhar deslocamentos, mudanças e recomeços, em qualquer lugar. Objetos que atravessam cidades, hotéis, salas de embarque e fases inteiras da vida sem perder significado.
Enquanto quase tudo ao redor se torna provisório, rápido e descartável, algumas coisas permanecem junto à pele. É isso que transforma uma joia em memória.
Marcelo Minka


Mestre em Antropologia Visual (UEL), dá forma à linguagem estética da Angatu Joias, unindo arte, forma e símbolo em criações que revelam a poética entre design e significado. Artista visual e pesquisador, transita entre o pensamento e o fazer, inspirado pelas viagens, pelos sabores, pela natureza e pelas culturas que encontra pelo Brasil e pelo mundo. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @angatu.joias Site: Angatu Joias
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