Por Robson Moretão
Eu sou Robson Moretão e acompanho a indústria dos games há mais de duas décadas. Nesse período, vi os videogames deixarem de ser apenas um produto vendido em caixinhas para se transformarem em plataformas vivas, conectadas e atualizadas diariamente. Hoje, jogamos em ecossistemas que misturam competição, entretenimento, redes sociais e serviços digitais. E, como acontece em praticamente todo ambiente conectado, a publicidade encontrou mais uma porta de entrada.
A mais recente iniciativa da EA mostra que a discussão sobre anúncios dentro dos jogos está longe de terminar. Para muitos jogadores, os games ainda representam um espaço de fuga do excesso de informações e propagandas que dominam celulares, televisões e redes sociais. Porém, para as empresas, esse mesmo espaço é visto como uma oportunidade valiosa para aproximar marcas de um público altamente engajado.
Quando a imersão no game encontra a monetização
A nova plataforma criada pela EA pretende centralizar ações publicitárias em seus principais títulos, permitindo que marcas apareçam de forma dinâmica durante as partidas. A proposta vai muito além dos tradicionais banners estáticos vistos em jogos esportivos há anos. Agora, a ideia é inserir desafios patrocinados, itens cosméticos temáticos, eventos especiais e placas publicitárias atualizadas em tempo real, tudo adaptado ao perfil e ao comportamento dos jogadores.

Em determinados gêneros, especialmente simuladores esportivos, a publicidade pode parecer algo relativamente natural. Quem joga futebol virtual já está acostumado a ver marcas estampadas nos estádios, nos uniformes e nas transmissões. Em um jogo inspirado em campeonatos reais, isso ajuda até mesmo a reforçar a sensação de autenticidade.
O problema começa quando a linha entre ambientação e monetização se torna difícil de perceber. Muitos jogadores ainda lembram da polêmica envolvendo microtransações excessivas, passes de temporada cada vez mais caros e conteúdos vendidos separadamente em jogos de preço cheio. A chegada de uma plataforma estruturada especificamente para anúncios levanta dúvidas sobre até onde a indústria pretende ir na busca por novas fontes de receita.
A EA afirma que a publicidade será implementada de forma cuidadosa, buscando complementar a experiência em vez de interrompê-la. Ainda assim, boa parte da comunidade demonstra receio. Afinal, poucos jogadores desejam terminar uma partida emocionante de modo ranqueado e ser impactados por mensagens comerciais que não fazem sentido dentro daquele universo. A aceitação desse modelo dependerá diretamente do equilíbrio encontrado entre realismo, conveniência e respeito ao consumidor.
O jogador como consumidor e protagonista das escolhas
Fora das telas, essa discussão também nos convida a refletir sobre a forma como consumimos entretenimento. Estamos vivendo em uma época em que praticamente toda nossa atenção possui valor comercial. Aplicativos gratuitos exibem anúncios, plataformas de vídeo oferecem planos patrocinados e até conteúdos personalizados são direcionados com base em nossos hábitos digitais.
O jogador moderno precisa desenvolver um olhar crítico semelhante ao que utiliza ao analisar um sistema de progressão, uma economia interna ou uma caixa de recompensas. Entender quem ganha, quem paga e qual experiência está sendo oferecida tornou-se tão importante quanto dominar mecânicas complexas ou aprender estratégias competitivas.
Os videogames sempre foram lugares onde fazemos escolhas. Decidimos quais caminhos seguir, quais personagens evoluir e quais desafios aceitar. Talvez a próxima grande decisão da comunidade seja definir até que ponto estamos dispostos a permitir que as marcas ocupem espaço em nossos mundos virtuais.
Quando desligarmos o console depois de uma longa sessão de jogo, vale pensar: estamos apenas visitando universos criados para nossa diversão ou já começamos a habitar enormes outdoors interativos disfarçados de experiências digitais?
Foto principal: Imagem criada por IA
Robson Moretão

Um maluco por games desde a era dos pixels — e sem cura! 🎮 São mais de 30 anos nessa. Sou daqueles que piram em histórias incríveis, desafios que parecem impossíveis (mas não são) e gráficos realistas de hoje (que a gente nem acredita). Aqui na minha coluna, o papo é sobre a evolução dessa indústria insana e todos os rolês que vêm com ela, e as vezes games que mudam o cotidiano.
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Essas opiniões são minhas, viu? O LONDRINE̅NSE só deixa eu postar aqui. Se gostou, foi sorte deles. Se não gostou, foi coisa da minha cabeça. E as broncas estão tudo no meu CPF. Combinado?
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