O renascimento de Onimusha e a estratégia da Capcom 

CAPA 0128

Um retorno que parecia impossível

Por Robson Moretão

Eu sou Robson Moretão e, se existe algo que aprendi acompanhando a indústria dos games ao longo dos anos, é que algumas franquias nunca morrem de verdade. Elas apenas aguardam o momento certo para voltar. Foi exatamente isso que aconteceu com Onimusha, uma das séries mais marcantes da era PlayStation 2, que permaneceu duas décadas sem receber um novo capítulo.

Durante esse período, muita coisa mudou. A indústria evoluiu, novos gêneros dominaram o mercado e franquias como Resident Evil, Monster Hunter e Devil May Cry ganharam prioridade dentro da Capcom. Enquanto isso, Onimusha virou praticamente uma lembrança para os veteranos e um nome desconhecido para boa parte da nova geração.

Mas a espera finalmente terminou. Com Onimusha: Way of the Sword, a Capcom pretende resgatar um dos seus maiores clássicos, mostrando que, às vezes, um longo silêncio faz parte da estratégia.

Depois de 20 anos, a Capcom anuncia que resgatou um de seus maiores clássicos. Com Onimusha: Way of the Sword, a empresa aguardou ter tecnologia suficiente para honrar o legado da série
Imagens Divulgação CAPCOM

O tempo certo faz diferença

Muitos jogadores acreditavam que Onimusha havia sido abandonado. Porém, segundo os produtores da Capcom, a realidade foi bem diferente. O desenvolvimento de jogos modernos exige equipes enormes, investimentos elevados e ciclos de produção que podem levar entre três e cinco anos. Com diversas franquias de sucesso em andamento, simplesmente não havia estrutura para colocar um novo Onimusha em produção antes.

Além disso, o mercado mudou completamente desde 2006. Hoje, os jogadores esperam gráficos realistas, sistemas de combate refinados, animações de alto nível e narrativas cinematográficas. Para atender a esse novo padrão, a Capcom aguardou até possuir tecnologia suficiente para entregar uma experiência capaz de honrar o legado da série.

O RE Engine, motor gráfico responsável pelos recentes sucessos da empresa, tornou esse objetivo muito mais viável, permitindo criar batalhas mais intensas, ambientes detalhados e personagens extremamente expressivos.

Mais do que nostalgia

Trazer uma franquia de volta nunca é apenas apertar o botão de “continuar”. O desafio é equilibrar tradição e inovação.

Os fãs antigos querem reencontrar a atmosfera sombria, os samurais, os demônios Genma e o sistema clássico de absorção de almas em Onimusha. Já os novos jogadores esperam controles modernos, ritmo mais fluido e uma jogabilidade compatível com os padrões atuais.

Esse equilíbrio explica por que a Capcom não pretende simplesmente repetir a fórmula de vinte anos atrás. O objetivo é preservar a identidade de Onimusha enquanto adapta sua experiência às expectativas do público atual. A própria desenvolvedora já indicou que o foco será oferecer um combate acessível sem abrir mão da profundidade que marcou a franquia.

É um movimento parecido com o que vimos em outras grandes séries. Algumas conseguem se reinventar sem perder sua essência. Outras acabam descaracterizadas na tentativa de agradar todo mundo. Encontrar esse equilíbrio talvez seja a missão mais difícil do novo Onimusha.

O que a espera de Onimusha ensina aos jogadores

Existe uma lição interessante por trás dessa história.

Vivemos uma época em que tudo parece precisar acontecer imediatamente. Queremos atualizações constantes, sequências anuárias e novidades todos os meses. No entanto, a trajetória de Onimusha mostra que nem sempre acelerar significa entregar o melhor resultado.

Isso vale também fora dos videogames.

Assim como um estúdio precisa esperar o momento ideal para desenvolver um grande projeto, nós também enfrentamos períodos em que nossos planos parecem parados. Seja nos estudos, na carreira, na tecnologia ou até mesmo na vida espiritual, há fases em que o crescimento acontece longe dos holofotes.

Nos games aprendemos que evoluir um personagem exige paciência, estratégia e preparação antes da batalha mais importante. A vida segue uma lógica parecida: nem toda pausa representa fracasso. Em muitos casos, ela é justamente o tempo necessário para construir algo mais sólido.

A verdadeira batalha acontece antes do lançamento

O retorno de Onimusha não representa apenas a volta de uma franquia clássica. Ele simboliza uma decisão estratégica, tomada quando tecnologia, equipe e visão criativa finalmente se alinharam para entregar um projeto à altura de sua história.

Talvez essa seja a maior mensagem deixada por esse retorno: algumas conquistas não chegam quando nós queremos, mas quando realmente estamos preparados para vivê-las.

Afinal, nos videogames sabemos que enfrentar o chefe final antes de evoluir o personagem quase sempre termina em derrota. E na vida… será que também não existem batalhas que precisam esperar o momento certo para serem vencidas?

Imagem principal gerada por IA

Robson Moretão

Um maluco por games desde a era dos pixels — e sem cura! 🎮 São mais de 30 anos nessa. Sou daqueles que piram em histórias incríveis, desafios que parecem impossíveis (mas não são) e gráficos realistas de hoje (que a gente nem acredita). Aqui na minha coluna, o papo é sobre a evolução dessa indústria insana e todos os rolês que vêm com ela, e as vezes games que mudam o cotidiano.

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Essas opiniões são minhas, viu? O LONDRINE̅NSE só deixa eu postar aqui. Se gostou, foi sorte deles. Se não gostou, foi coisa da minha cabeça. E as broncas estão tudo no meu CPF. Combinado?

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