Por Robson Moretão
Fala, galera gamer! Eu sou o Robson Moretão e, hoje, no Além dos Controles, vamos mergulhar em uma análise fresquinha do game que chegou na última quinta-feira e já está dando o que falar: Ghost of Yotei.
Se você achava que o universo de Ghost of Tsushima tinha se esgotado, a Sucker Punch resolveu mostrar que ainda havia espaço para novos fantasmas, novas dores e, principalmente, uma nova forma de contar histórias dentro do Japão feudal. Mas será que o jogo consegue mesmo segurar o peso do legado de Jin Sakai? Bora analisar!
A alma de Atsu: vingança como combustível
Diferente de Tsushima, em que a luta era pelo povo e pela honra, aqui a motivação é crua, visceral e nada romântica: vingança.
A protagonista, Atsu, é uma mercenária marcada por uma tragédia familiar e que decide caçar os Seis de Yotei, responsáveis por sua dor. Isso muda completamente o tom da narrativa. Se Jin hesitava entre ser samurai ou fantasma, Atsu não pensa duas vezes: olho por olho, dente por dente.
Essa escolha narrativa é um acerto e um risco ao mesmo tempo. O enredo é previsível em alguns momentos, mas compensa ao explorar o psicológico da personagem, mostrando o quanto o ódio pode consumir alguém. O problema é que os inimigos — apesar de inspirados em figuras da mitologia japonesa, como Oni e Kitsune — acabam soando um pouco rasos. Faltou dar mais vida a esses antagonistas para que cada duelo tivesse mais impacto emocional.
Ainda assim, a jornada pessoal de Atsu acaba nos puxando para dentro da história, principalmente por ser uma protagonista menos “nobre” e muito mais humana em suas falhas.

Hokkaido: neve, vento e silêncio como guia
O cenário é outro ponto que merece destaque. Hokkaido (Ezo) serve de palco para essa saga, com montanhas nevadas, florestas gélidas e o imponente Monte Yotei como centro da narrativa. A Sucker Punch mantém sua filosofia de exploração orgânica, sem minimapas cheios de marcadores. Quem guia o jogador é o vento, os pássaros dourados e até o som de raposas.
A sensação de imersão é incrível. O detalhe dos campos de flores que aumentam a velocidade do cavalo, ou NPCs que aparecem no acampamento para contar histórias e liberar missões, tornam o mundo vivo. Mas nem tudo são flores (literalmente): algumas atividades secundárias são repetitivas e acabam virando checklist, o que pode cansar quem gosta de variedade.
Uma adição legal é a loba companheira que pode ser conquistada em missões paralelas. Ela não só ajuda em combate como também traz um diferencial estratégico, com árvore de habilidades própria. Pequenos detalhes assim fazem a diferença e quebram a monotonia de algumas quests.

O peso da lâmina: combate brutal e visceral en Yotei
Se o mundo aberto oscila entre momentos brilhantes e repetições, o combate é onde Ghost of Yotei realmente brilha.
Atsu não é samurai, não tem código de honra, e isso se reflete no gameplay: a luta é mais suja, brutal e imprevisível. O sistema de armas é diversificado — katana, kusarigama, arco, até fuzil de pederneira — mas o grande destaque fica para o uso duplo de katanas, que traz velocidade e agressividade insanas.
O esquema de “Pedra, Papel e Tesoura” para cada tipo de arma obriga o jogador a se adaptar em tempo real. Soma-se a isso inimigos que também mudam de armas no meio da luta, e o resultado é um combate dinâmico, que exige atenção e reflexo a todo instante.
Tecnicamente, o jogo está impecável no PS5, com carregamentos praticamente instantâneos e três modos gráficos para agradar qualquer perfil de jogador. No PS5 Pro, o upgrade é ainda mais perceptível, com 120fps e Ray Tracing refinado. O DualSense também é muito bem aproveitado: sentir a tensão do arco ou soprar no microfone para manter uma chama acesa são pequenos toques que reforçam a imersão.
Ghost of Yotei não é uma sequência direta de Tsushima, mas sim um novo conto dentro do mesmo universo. Tem falhas, como uma narrativa previsível e missões repetitivas, mas acerta no que importa: combate visceral, ambientação envolvente e uma protagonista marcante.
Se você busca uma história épica, talvez se decepcione. Mas se procura mergulhar em uma jornada intensa, onde a neve de Hokkaido congela tanto quanto o coração de Atsu, Ghost of Yotei merece estar na sua lista.
E aí, me conta: você prefere a jornada de honra e sacrifício de Jin Sakai ou a trilha sombria de vingança de Atsu?
Robson Moretão

Um maluco por games desde sempre – há mais de 30 anos! Sou fissurado em histórias incríveis, desafios “impossíveis” e gráficos realistas. Aqui, na minha coluna, vou falar sobre o avanço desta indústria fantástica e seus desdobramentos.
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