Espetáculos locais, do Brasil e América Latina na programação de hoje e amanhã do CICLO

Viúvas - Performance Sobre a Ausência (2011) foto Pedro Isaias Lucas

Circuito de Artes e Conceitos de Londrina promove uma grande mostra de teatro on-line

O LONDRINENSE com assessoria

A partir de segunda-feira (7), os Giros do CICLO espalham a arte do teatro a partir de Londrina, extrapolando as fronteiras da Cidade até tocar a América Latina. O Circuito de Artes e Conceitos de Londrina, evento promovido pela Palipalan Arte e Cultura, vai até o dia 13 num verdadeiro Festival de Teatro On-line. Os espetáculos são transmitidos no canal do YouTube do CICLO, ficam disponíveis por 24 horas, todos são gratuitos.

Nesta segunda-feira, o Giro Local começa com a Cia. Funcart de Teatro, às 18h30, com o espetáculo “Um Norte Tão Velho”. Na montagem, artistas londrinenses dão vida à uma série de contos do médico e escritor Marco Antônio Fabiani que remetem à memória do norte do Paraná em seu início, ilustrado por possíveis personagens que compunham esse espaço-tempo.

Às 19h30, no Giro Nacional, é a vez do grupo Clowns de Shakespeare, de Natal (RN), com a montagem “Abrazos”, o único espetáculo infantil da Trilogia Latino Americana dos Clowns. Nele, o diretor Marco França teve o desafio de montar um espetáculo sem fala escrita e que trouxesse para o universo da criança temas como ditadura, guerras e proibições. Livremente inspirado no “O Livro dos Abraços”, de Eduardo Galeano, e com roteiro dramatúrgico de César Ferrario e elenco, a peça nos convida a uma jornada através do olhar de um menino que vive em um país onde um regime opressivo impede todas as pessoas de se abraçarem ou demonstrarem qualquer afeto uns com os outros. Imagina só um mundo sem abraços?

Às 20h30, o grupo guatemalteco Sotz’il traz, para os Giros do CICLO, uma Coletânea de Trabalhos. A presença do grupo no Giro Internacional é emblemática para a curadoria do CICLO. “O Brasil raramente recebe criações cênicas de países da América Central. Seu nome, Sotz’il, significa morcego, um animal sagrado e totêmico para o povo maia, segundo o qual foi o morcego trouxe o fogo para a sua gente, conforme raízes culturais da etnia Kaqchikel. Estamos falando de uma civilização, a maia, que é das mais notáveis na história, surgida por volta de 300 anos antes de Cristo”, explicam os curadores Ney Piacentini, Rogério Francisco Costa, Stela Fischer e Valmir Santos.

Nas terras altas da Guatemala, há mais de uma década, os jovens Maya-Kaqchikeles vêm trabalhando para recuperar raízes culturais através da pesquisa e da promoção da música e da dança pré-hispânicas maias. De acordo com o grupo, é graças à inspiração que encontram nas florestas e aos conhecimentos adquiridos nas conversas com os mais velhos, que salvaguardaram a sabedoria ancestral contra séculos de discriminação, exclusão e exploração, contribuindo com nosso grão de milho para a reconstrução cultural e consolidação da harmonia com outras culturas guatemaltecas e mundiais, através da revalorização das artes rítmicas maias através da música, dança e teatro.

Na terça-feira, (08), a programação do Giros do CICLO começa às 18h30, com a montagem “O Homem de Costas”, com a Dramátika (Londrina); um monólogo interpretado pelo ator Johnny Garcia que dá vida a sete personagens, sob a direção de Rodrigo Grota que também assina o texto do espetáculo onde um ator e um diretor encenam uma peça sobre uma relação obsessiva entre um artista plástico e um modelo.

No Giro Nacional, às 19h30, o palco virtual é do espetáculo “Viúvas” – Performance Sobre a Ausência”, com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre (RS). A montagem é uma pesquisa em andamento da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz a partir do texto de Ariel Dorfman sobre o solo do imaginário latino-americano e a sua história recente. A performance mostra mulheres de um pequeno povoado nas margens de um rio que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer. 

No Giro Internacional, encerrando a noite, um dos grandes representantes do teatro latino-americano, o grupo boliviano Teatro De Los Andes, com a montagem “MAR”, às 21h. Inspirado pelo fato da Guerra do Pacífico, “MAR” é uma alegoria poética da perda da costa boliviana e, desde então, a ausência-presença “de um mar” no imaginário, nas aspirações de um povo, na cobrança de uma dívida histórica e no caráter metafórico que essa perda assume para cada boliviano. A partir da história simbólica de três irmãos e sua mãe, o trabalho reflete sobre a necessidade e a busca de “um mar”, uma metáfora para um novo horizonte mais amplo, a esperança de sair do confinamento, de recuperar o que foi “perdido”.

Confira toda a programação:

Foto: Viúvas – Performance Sobre a Ausência (2011) – foto Pedro Isaias Lucas

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