Madrugadas de Cronista

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Por Cassiano Russo, professor de Filosofia

Quatro horas da manhã. Sinto o peso do sono a essa hora da madrugada. Costumo acordar cedo, mas, estranhamente, hoje ainda estou com sono e com uma sensação de noite maldormida. Tomei duas canecas de café acompanhadas de alguns cigarros para despertar de vez, porém ainda tenho sono. Mesmo assim, não voltarei para a cama. Gosto de apreciar o final da madrugada, o silêncio desse horário, o farfalhar das folhas da árvore do outro lado da rua. É um pequeno momento divino que saboreio bem cedo. Mais tarde, lá pelas seis horas, começa o trânsito infernal dos carros. Não gosto do som dos motores de mais um dia barulhento. Gosto é do silêncio. Notadamente do silêncio da madrugada.

Procuro pensamentos que eu possa registrar na escrita: algumas ideias, lembranças e impressões que deem grandeza às segundas-feiras, como um sorriso que encante o que escrevo, para que o leitor, mediante as palavras, também veja sentido numa madrugada de início de semana.

Tomo mais um gole de café como exata medida da minha existência. Dou mais uma baforada no meu cigarro.

Fim de crônica.

É hora de sair, bem cedo mesmo, para ver a cidade com seus habitantes.

Essas são minhas madrugadas.

Madrugadas de cronista.

Foto: Pexels

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