Por Ana Paula Barcellos
Londrina, sexta à noite, centro. A Concha Acústica lota porque tem feira de graça, som ao vivo e comida na rua. Gente chega das sete e meia em diante, calor do dia ainda grudado na pele.

Sextou na Concha e o corpo é obrigado a se mexer, esbarrar, sentir. O ar carregado de óleo frito, suor, perfume barato, fumaça de cigarro distante. O som alto demais, a conversa gritada no ouvido. O gosto salgado do chope misturado com o doce na mesma mordida. O toque no ombro, o abraço apertado de quem não via há tempos. É tudo quente, barulhento, vivo.
Na Concha, a banda começa por volta das 19h30 — cover, anos 90/80/70/60. Volume alto, chega vibrar no peito, conversa vira grito no ouvido. Multidão variada: estudante, tio de social aberta, família com criança correndo, casal na grade, solitário ouvindo música. As mesas lotam, o resto em pé, pisando latinhas, esbarrando sem parar.
Por volta das 22h, o som corta, barracas guardam as panelas, roupa fedendo a fritura e chope derramado, os ouvidos zumbem, pés doem. É lotado, um tanto caótico, pedidos gritados por cima da cabeça, criança chorando, casal brigando.
Há vida na Concha
Vai lá. Chega, anda devagar, respira fundo o ar grosso de sexta. Come, conversa, tenta o bolo famoso (boa sorte na fila, que começa por volta das cinco). Leva um sabonete de “descarrego” pra casa. E, por favor, encontra alguém. Na Concha.
Sexta que vem tô lá.
Ana Paula Barcellos

É graduada em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mestre em Estudos Literários, integra coletivos culturais da cidade e é agente cultural.
Sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências, e escreve também a coluna de Moda deste jornal. Siga o Instagram @yopaulab
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