Por Ana Paula Barcellos
Noite alta em Londrina, Paraná, 2025. O céu tá estrelado, o ar fresco, uma chuva esporádica. Imagino o Influenza voando por aí… e me lembro dos Sofomaníacos da cidade, essa turma que transformou o sofá em trono e o Zap em autoridade. Mestres em maratonar comentários de redes sociais, os tios jurássicos do Facebook que gostam de filosofar desinformando: eles são um caso à parte. Pois alguns desses guerreiros do Zap abraçaram o negacionismo antivax com muita paixão. E, em 2025, isso tá pesando.
A Influenza, essa vilã já conhecida, tá jogando forte. Enquanto os Sofomaníacos discutem no grupo “Sofá do tiozão” se vacina é “conspiração globalista” ou “chip 6G”, o vírus da gripe faz estrago. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), até 7 de junho de 2025, o estado registrou 12.011 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com hospitalização, sendo 1.379 por Influenza A. Pior: 598 mortes por SRAG, das quais 124 foram confirmadas por Influenza A.
Em Londrina, a 17ª Regional de Saúde lidera com 1.436 casos de SRAG e 100 óbitos totais em 2025, um salto em relação aos 925 casos e 118 mortes de 2024. E sabe o que assusta? O secretário Beto Preto revelou que 90% das vítimas fatais não estavam vacinadas.
E Londrina também sente o baque. No grupo do “Sofá do Tiozão ” rolam memes de gatinhos, de política, casos sobrenaturais, spoilers de remake de novela e links jurando que a vacina causa de calvície a abdução alienígena. “Eu não tomo, meu corpo é um forte! Ele mesmo se cura”, tossiu o João, líder informal do grupo, parecendo mais um remix de techno anos 90. João, querido, o forte precisa de reforço. A Fiocruz diz que vacinados têm 70% menos chance de internação por gripe. Sem vacina, é como enfrentar a H3N2 com uma colher de pau.
Influenza A causou 72,5% das mortes
Os dados falam por si. O Paraná aplicou 3,2 milhões de doses contra a Influenza em 2025, mas só 35,2% das crianças, 31,7% das gestantes e 47,1% dos idosos estão vacinados – longe da meta de 90% do Ministério da Saúde. Um estudo do CDC, replicado no Brasil, mostra que a vacina corta em 59% o risco de infecção sintomática em adultos e até 80% as formas graves em idosos. Mesmo assim, os Sofomaniacos insistem: “Magina, é só resfriadinho!”. Só que não. No Brasil, 75.257 casos de SRAG foram notificados em 2025, com Influenza A causando 72,5% das mortes. Em Londrina, o aumento de 55% nos casos de SRAG em relação a 2024 é um alerta vermelho. Os hospitais seguem lotados!

A ironia é que os Sofomaníacos são craques em pesquisar. Gastam horas destrinchando teorias conspiratórias, mas fogem de sites como o da OMS ou da Sesa como o diabo foge da cruz. Enquanto isso, a ciência chora: vacinas salvam 3 milhões de vidas por ano, globalmente, mais que qualquer herói da Marvel. A vacina de 2025, atualizada contra A/Victoria (H1N1), A/Croácia (H3N2) e B/Áustria, tá aí, de graça, nos postos de saúde.
Só falta trocar o negacionismo por uma injeção de bom senso. E a gente segue questionando: a quem interessa que pobres não sejam imunizados? Quem tem dinheiro (lembra?) tá com a vacina em dia e já tomou as complementares.
Seu João, vai por mim: ninguém sofre ataque cardíaco ou derrame por tomar vacina. Mas pode virar estatística por não tomar.

Ana Paula Barcellos
É graduada em História pela UEL, Mestre em Estudos Literários, integra coletivos culturais da cidade e é agente cultural. Sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências, e escreve também a coluna de Moda deste jornal. Siga o Instagram @yopaulab
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