Por Telma Elorza
“Depois que meu pai morreu, há cinco anos, minha mãe virou outra pessoa. Está saindo todos os dias, arrumando namorados, viajando e gastando como nunca. Estou com medo dela acabar com todo a herança que meu pai deixou. Será que posso interditá-la?”
Meu Pai do Céu, você está ligada no absurdo que está falando? Querer jogar a própria mãe na interdição legal só porque a véia está curtindo a vida e gastando o próprio dindim? Cara, sério, isso é um absurdo tão grande que dá até vontade de pegar pelo pescoço, dar uns chacoalhões e por juízo na marra dentro dessa sua cabeça. Você está doida, minha filha?
Primeiro de tudo, é o seguinte: se a véia quer gastar o dinheiro dela com coisas que a fazem feliz, qual é o problema? É o dinheiro dela, pô! Quem trabalhou, ralou e fez o que fez foram ela e seu pai, não a filhinha preocupada com a herança. Não posso acreditar que isso aconteça. Tem que ser mentira. Será que a mulher, em sua velhice, deve contar moedinhas para que você, leitora, fique de olho no saldo bancário esperando a hora de dar o bote?
Uma coisa que precisa ficar bem claro: não existe herança de pessoa viva. Isso os advogados do Direito de Família cansam de apontar nas redes sociais e mesmo asssim me aparece uma doida aqui, querendo interditar a mãe, por causa de um dinheiro que não é seu.
Moça, entenda, se sua mãe decidir deixar alguma coisa para você, vai ser o que ela achar justo, não o que você está planejando na sua cabeça. Se ela quiser torrar tudo, não tem lei que impeça. Se sua mãe está feliz, bem cuidada e gastando tudo, ótimo para ela. Isso vale mais que qualquer herança futura, né?
Porém…
Como a leitora não especificou exatamente como os gastos da mãe vem acontecendo, é bom pensar também no lado B dessa fita. Imagina que a mãe seja daquelas que gasta sem noção, compra tudo quanto é bugiganga e deixa a conta no vermelho. Aí sim, pode rolar uma conversa, uma intervenção, uma ajudinha pra organizar as coisas, sacou? Mas interditar? Isso é muito sério, não é só mandar a velha pro cantinho e bloquear o cartão.
E tem mais uma, se você está tão preocupada assim com a grana, em vez de pensar só na herança, podia estar ajudando a mãe a administrar melhor o dinheiro, a pensar no futuro dela com mais responsabilidade. E se virar, trabalhar e não depender de um dinheiro no futuro.
Qual sua relação com sua mãe?
Agora, uma coisa que me deixa encafifada nessa história: se você está tão desesperada assim pela herança, que tipo de relação tem com a mãe? Pelo jeito, é mais de olho granden no que NÃO É SEU do que de amor verdadeiro. Porque amor de verdade, minha cara, é cuidar da véia, se preocupar com ela de verdade, não só com o que vai ficar no testamento.
E pra finalizar, saca só: dinheiro é importante, claro que é. Mas e a vida da velhinha, gente? E os momentos, os sorrisos, as histórias? Isso não tem preço. Se a mãe quer gastar, viajar, viver, quem somos nós pra dizer que ela não pode? A vida é dela, o dinheiro é dela, e se a filha quer mesmo algo da mãe, que seja o bem-estar dela, não a grana.
Então, vamos parar essa ideia de interdição, vamos ser mais humano, mais empático. Porque, no fim das contas, a herança que mais importa é o que a gente leva de bom desse mundo, não o que fica na conta bancária.
Espero ter ajudado a tirar essa ideia de jerico da sua cabeça.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
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