Estou pensando em divórcio. O que faço?

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Por Telma Elorza

“Tenho 49 anos, estou casado há 25 e não aguento mais meu casamento. Estou pensando em me divorciar. É uma ideia que não sai da minha cabeça. Gosto da minha esposa, mas meu casamento virou uma rotina sem graça. Agora vão começar a chegar netos e me vejo amarrado, sufocado, angustiado e não sei mais o que faço. Não quero ficar um velho rabugento, preso num casamento por covardia de largar tudo. Quero viver, respirar. O que faço”?

Para começo de conversa, sugiro ao leitor que procure um médico, de preferência um andrologista, que é o médico especializado na prevenção e no tratamento de condições que afetam a fertilidade e a sexualidade do homem. Isso é necessário porque o leitor – assim como todos os homens com mais de 40 anos – pode estar sofrendo de uma condição física chamada andropausa, a menopausa masculina.

SIM, existe a menopausa masculina!  A andropausa – chamada cientificamente de Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM) – e é marcada pela diminuição nos níveis de testosterona, o principal hormônio masculino. Na maioria dos casos, o redução na produção desse hormônio começa a ocorrer por volta dos 40 anos e causa efeitos em todo o corpo do homem, inclusive na mente.

Alguns sintomas físicos –  diminuição no tamanho dos testículos, aumento da gordura corporal, redução da massa e da força muscular, diminuição da densidade óssea, inchaço na região dos mamilos e perda de pelos do corpo, além da redução do desejo sexual – podem indicar a andropausa. Mas mudanças emocionais também podem ser sintomas, tais como diminuição da motivação ou a autoconfiança, tristeza problemas de concentração e de memória, e alteração no padrão de sono (insônia ou sonolência aumentada).

Tudo isso pode afetar o estado de espírito do leitor que, tratado e medicado, pode redescobrir a beleza de seu casamento.

No entanto, se a causa não for física, sugiro que o leitor procure avaliar o que está lhe trazendo a infelicidade suficiente para jogar pro alto 25 anos de casamento – que, embora não tenha dito no email – deu a entender que foi feliz. A esposa não lhe agrada mais sexualmente? Não conversam, não têm uma vida social? Interesses em comum? Ele não deu detalhes, mas pela angústia com que descreveu seu estado de espírito, não acho que seja por causa de outra mulher, o que poderia ser um motivador para o divórcio.

Na minha humilde opinião, e eu não sou psicóloga nem especialista em nada, eu acho que o leitor está com medo de envelhecer. O que mais me chamou a atenção foi a frase “Agora vão começar a chegar netos“. Talvez seja o indicador – a possibilidade real de virar avô – que esteja lhe corroendo e corroendo o seu casamento. É a evolução normal da vida: a gente deixa de ser filho, para virar pai e depois avô e, se der sorte, bisavô. Mas significa que está mais próximo da morte também. Mas ele quer parar isso. E acha que o divórcio pode trazer, de volta, a juventude perdida.

A imagem de avô remete a um homem velho, sem perspectivas futuras porque, na sua mente, seu momento passou, é a vez dos filhos se tornarem pais. No entanto, essa imagem é falsa, preconceituosa.

Um homem de 49 anos não é velho. Um homens de 59 anos não é velho (eu sei, tenho 58 kkk), um homem de 69 anos também não. Talvez um de 99 seja. Ou não. Mas a velhice só existe quando permitimos. Quando paramos de sonhar, quando paramos de nos divertir e quando paramos de viver. Há muita vida para viver ainda, e não é preciso estar sozinho para isso.

O casal pode tentar sair da rotina, reinventar o casamento, tentar novas posições sexuais, buscar novos interesses, novos amigos. Bora oxigenar esse casamento, antes que seja tarde.

Quem é a Tia Telma

Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.

Arte: Mirella Fontana

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