Minha cunhada é tóxica e vou meter a mão na cara dela

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Por Telma Elorza

“Sou obrigada a conviver com minha cunhada? Ela é mal educada – no sentindo de ser grossa mesmo -, não gosta de mim e vive me criticando sem eu ter feito qualquer coisa contra ela. Isso há três anos, desde que comecei a namorar o meu agora marido. Ele e meus sogros passam a mão na cabeça dela e justificam que ela tem ‘problemas’ que nunca dizem quais são. No último domingo, as famílias se reuniram numa chácara para comemorar o Dia da Mães e ela foi totalmente sem educação com meus pais e eu parti para briga com ela. Discutimos feio. Eu até aguento as grosserias dela, mas não vou admitir que ela maltrate meus pais. Dei um ultimato para meu marido: se ela continuar vindo em casa e me tratando mal, eu vou dar na cara dela. Detalhe: ela tem 25 anos e não mais uma criança, mas não trabalha e vive às custas dos pais. Estou errada?”

Existe uma tradição familiar brasileira que eu acredito que precisa acabar urgentemente: a ideia de que, só porque alguém virou “parente”, a gente é obrigada a aguentar grosseria, humilhação e falta de respeito em nome da “paz familiar”. E não, querida leitora, não deve ser assim. Casamento não vem com pacote  de “suporte ilimitado para cunhada mal-educada”.

Você não está errada em defender seus pais. Aliás, poucas coisas despertam mais o modo “gladiadora” numa pessoa mais rápido que ver pai e mãe sendo maltratados por alguém que parece não saber as regras mínimas de convivência.  Mas existe uma importante diferença entre impor limites e transformar o almoço de família em UFC. Se bem que eu a entendo perfeitamente.

A cena já tava montada para você estourar: reunião numa chácara (bebidas rolando, claro), Dia das Mães, tensão acumulada há três anos, sogros passando pano, marido fingindo que está tudo normal. Era praticamente o roteiro de um dramalhão mexicano prestes a acontecer.

Sua cunhada parece ser aquele tipo clássico de pessoa que vive eternamente no personagem “adolescente rebelde”, embora já tenha idade suficiente para viver e se sustentar sozinha, pagando boletos como todos nós, adultos funcionais.  Pessoa irritante, que gosta de tirar os outros do sério. Conheço o tipo. E esse tipo depois que causou a confusão toda, ou ri ou finge que não fez nada de mau. Mas cuidado para não deixá-la lhe transformar numa versão pior de si mesma. Perder a cabeça pode gerar ainda mais conflitos com seus sogros e marido, onde você sempre será a errada.

Esse tipo de pessoa tem um talento para provocar até alguém perder compostura e a razão. No minuto em que você ameaça “dar na cara dela”, o foco do conflito muda. A mal-educada vira a vítima e você, a agressiva. Todo mundo esquecerá os três anos de humilhações feitas pela cunhada e passa a discutir como você está desiquilibrada.

Totalmente injusto. Mas famílias problemáticas funcionam exatamente assim.

O que você precisa fazer urgente é respirar, manter a calma e exigir que seu marido saia do posto de “irmão passivo premium”. Quando seu parceiro assiste você sofrer grosserias e ser humilhada repetidamente, não tomando uma posição clara, ele está escolhendo o conforto dele acima do seu bem-estar. Talvez ele queira evitar conflitos, talvez tenha medo da irmã. Talvez tenha crescido numa família onde todos andam pisando em ovos para não irritar “a problemática”.

Se dizem “ah, ela tem problemas….”, mas nunca explicam quais são esses problemas, geralmente significa que nem eles mesmo sabem e passaram tanto pano, há tanto tempo, que ninguém nunca soube colocar limite. Detalhe: problemas emocionais podem explicar comportamentos difíceis, mas não justificam o desrespeito constante.

Porém, casamento exige prioridade emocional. E isso significa que seu parceiro não pode deixar você ser atacada continuamente dentro da própria família.

Vou dar alguns conselhos – meio irreverentes até – para que você consiga sobreviver à cunhada insuportável sem acabar no Cidade Alerta.

Conselhos para “quebrar” as agressões da cunhada

O primeiro deles: pare de tentar conquistar sua cunhada. Tem gente que se alimenta de conflito. Quanto mais você tentar agradar, mais ela vai encontrar defeito em você. Seja apenas educada, do tipo bem básica. “Oi, tudo bem?” e chega. Não puxe papo, finja não escutar os comentários e perguntas dela. No máximo use um “quer mais farofa”? Abstraia. Não se esforce para se simpática, acolhedora.

Segundo conselho: nunca brigue na frente de plateia. Família é torcida organizada emocional, sempre terá alguém filmando-a (mental ou literalmente) para usar contra você depois. Discussão pública é espetáculo e é isso que sua cunhada quer. Que você perca a cabeça e vira “a histérica”. Se você não conseguir ignorar as provocações e grosserias, saiba que, nesses casos, a melhor vingança é a frieza. Nada desarma mais uma pessoa grosseira do que alguém calmo dizendo “você está sendo desrespeitosa, vou me retirar”. Isso desarma qualquer um porque quebra o roteiro.

Terceiro conselho: imponha suas regras dentro da sua casa. Deixe claro a seu marido que, se sua cunhada for na sua casa, na primeira provocação, ele terá que se posicionar e impor limites objetivos. Que você não quer mais ouvir ele pedindo para você relevar e sim falar com ela: “essa é a minha casa e você não vai tratar mais minha esposa dessa forma aqui”. Ponto. Simples, adulto, maduro.

Quarto conselho: se ele não a defender, você terá todo o direito de se retirar da sala e se trancar no quarto, deixando-o só com a família. Nem se explique. Apenas saia. E depois deixe-o dormir no sofá. Ou, melhor ainda, saia de casa, vá dar uma volta com amigos, num cinema, barzinho, se divirta. Tenho uma amiga que não gosta da família do namorido por N motivos. E quando eles aparecem ou ele quer que vão na cada deles, ela arruma compromissos em outro lugar. Faz cinco anos que não vê nenhum dos parentes dele. E vivem bem.

O que você não pode é transformar isso numa competição. Ameaçar dar um tapa é muito satisfatório – muita gente lendo isso pensou “ah, ela merecia mesmo” (sim, eu também pensei e, em outras épocas da minha vida, seria isso que eu faria), mas, como eu já disse, violência piora tudo. E ainda pode dar processo. Sabe aquela história, que circula na internet, que você pode até dar uma cadeirada em alguém sem ter consequências? Então, não é bem assim. Pode lhe dar até 15 dias de cadeia.  Mas saiba que, em casos assim, geralmente, os processos vão para o Juizado Especial (antes chamado de Pequenas Causas) e as penas podem ser mudadas para pagamento de cesta básica ou prestação de serviços (estou só informando, viu? O que você faz com essa informação não é problema meu. KKKK).

No fim, a questão toda é que “você não é MESMO obrigada a conviver com sua cunhada”.  Não precisa continuar a aceitar humilhação e grosseria para manter uma falsa harmonia familiar. Mas também não precisa partir para a ignorância. Imponha limites e distância estratégica. E se seu marido não se posicionar para defender você, talvez, quem sabe, comece a pensar em divórcio.

Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

A cunhada é grosseira e mal-educada. No Dia das Mães, ela foi extremamente deselegante com os pais da leitora. E agora, ela quer dar um tapa na cara da cunhada
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Quem é a Tia Telma

Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.

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