Por Chantal Manoncourt
O Museu Orsay, em Paris, apresenta duas exposições dedicadas ao grande pintor impressionista: Renoir e o Amor explora a ideia do amor no cerne de sua pintura, enquanto Renoir, o Desenhista, revela um aspecto pouco conhecido de sua obra, mais próximo e seu processo criativo.
Uma tela icônica no auge de sua arte
A exposição, que coincide com o 40º aniversário do Museu Orsay, vale muito a pena visitar. Entre as obras em exibição, encontra-se uma pintura rara. O Museu Orsay teve a grande satisfação de receber le Déjeuner des Canotiers – O Almoço dos Remadores– (1880-1881), uma obra-prima do pintor, cedida por empréstimo excepcional da prestigiada Phillips Collection, em Washington. A exibição desta pintura gerou inúmeras reações entusiasmadas. Esta tela icônica (que está reproduzida na foto principal) é, ao mesmo tempo, um dos ápices de sua arte e uma imagem familiar, vibrante e simbólica de um século XIX voltado para o futuro. Uma imersão luminosa nos anos em que Renoir, quase que involuntariamente, inventava uma nova maneira de celebrar a modernidade.
Renoir: um pintor de felicidade

Renoir se distinguiu de seus amigos impressionistas “por sua capacidade de se maravilhar, escolhendo apenas temas alegres e sempre dando destaque aos seus modelos”. Em cada uma das seções — Cenas da Vida Boêmia, Encontros na Cidade, Um Dia no Campo ou Mulheres e Crianças — o pintor optou incansavelmente por se concentrar no amor pela vida, pela luz e pela harmonia dos gestos e rostos. Ele chegou a defender essa estética alegre: “Sei muito bem que é difícil convencer as pessoas de que uma pintura pode se verdadeiramente grandiosa e, ao mesmo tempo, alegre”, confidenciou. A exposição demonstra como essa busca pela beleza constitui um dos principais pontos fortes de sua obra.

Em “O Balanço”, há uma ode de juventude. No campo ou a beira da agua, vemos figuras remando, passeando e dançando alegremente. E a época da valsa e da polca, um tempo em que os corpos se unem. Renoir envolve seus personagens em uma aura de delicadeza e poesia. Outra obra-prima, o famoso “Bal du Moulin de la Galette” (O Baile no Engenho) personifica o abandono despreocupado e a alegria de viver.


Renoir e a arte do desenho

Paralelamente às 57 pinturas em exibição, uma segunda mostra revela Renoir através de cerca de cem desenhos, esboços, pastéis e aquarelas de todo o mundo. Ela destaca a importância das técnicas gráficas na evolução de sua arte e também revela as estreitas conexões entre suas pinturas e desenhos. Por exemplo, para certas obras como As Banhistas, ele criou inúmeros estudos para alcançar a forma perfeita. A exposição é concebida como uma imersão no processo criativo do artista, oferecendo um olhar atento às suas explorações de luz, forma e cor. É também uma oportunidade para admirar a grande liberdade com que o artista abordou uma ampla variedade de técnicas: desenhos a grafite, carvão, caneta e tinta. Suas obras inspiraram admiração entre artistas, incluindo Picasso, que possuía um dos desenhos sanguíneos mais espetaculares, A Cabeleireira, apresentado ao final da exposição.



Fotos: © Phillips Collection; The National Gallery, London ; RMN Grand Palais Musée d’Orsay/Patrice Schmidt ; Museum of Fine Arts, Boston; Mathieu Rabeau; Service Presse / Musée d’Orsay; Michel Urtado; Laetitia Striffling; Diane B. Wilsey; GrandPalaisRMN(musée national Picasso-Paris) Mathieu Rabeau.
Serviço :
Renoir et l’amour. La modernité heureuse (1865-1885) até 19 de julho 2026 e Renoir dessinateur (desenhador) até 5 de julho 2026. – Musée d’Orsay, Esplanade Valéry Giscard d’Estaing 75007 Paris
Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro.
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