O patrimônio francês classificado pela UNESCO

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 Por Chantal Manoncourt   

Qual é a ligação entre a Pont du Gard, os megálitos de Carnac, o Palácio de Versalhes, os sítios pré-históricos de Lascaux, o Carnaval de Granville e as praias do Desembarque na Normandia? Todos eles estão inscritos na Lista do Patrimônio da UNESCO. 

Várias condições devem ser cumpridas para isso. Primeiramente, o país candidato deve ter ratificado a Convenção da UNESCO de 1972 sobre a Proteção do Patrimônio Mundial — que abrange noções de preservação da natureza e de bens naturais — e elaborar um inventário dos locais naturais e culturais mais importantes situados dentro de suas fronteiras.

Esse inventário, denominado “Lista Indicativa”, constitui uma relação preliminar dos bens que o país decide propor para inscrição nos próximos cinco a dez anos.

Em seguida, o país pode apresentar, anualmente, um ou dois dossiês. O Comitê Intergovernamental da UNESCO, composto por representantes de 21 Estados-membros, toma a decisão final. Representar uma obra-prima do gênio criativo humano deve “oferecer um testemunho único ou, pelo menos, excepcional de uma tradição cultural ou de uma civilização viva ou desaparecida”.

Os sítios mais antigos

Existem no mundo 1.273 bens culturais, naturais e mistos, distribuídos por 173 países.

A França conta com 56 sítios culturais e 30 elementos do patrimônio imaterial. Todos eles são muito distintos e contam uma história.

As cavernas de Lascaux, descobertas em 1940, apresentam um interesse excepcional sob os pontos de vista etnológico, antropológico e estético, graças às suas pinturas rupestres que remontam ao período Paleolítico, com idades entre 18.000 e 21.000 anos.

Na Bretanha, os megálitos de Carnac constituem um vasto conjunto que inclui os famosos alinhamentos de menires, erguidos ao longo de mais de dois milênios durante o período Neolítico, entre 6.000 e 4.000 anos atrás. Eles se estendem por um território de 1.000 km², abrangendo mais de 550 monumentos.

O período romano

 O teatro da Orange, no sul da França, é um dos mais bem preservados entre os grandes teatros romanos. Ele deve sua fama à sua parede de palco de 103 metros de comprimento e 37 metros de altura. Construído entre os anos 10 e 25, “é um dos mais belos e interessantes teatros daquela época que chegaram até nós”, destaca a UNESCO.

A ponte-aqueduto de Gard, construída no século I, com suas três fileiras de arcos sobrepostos, é a mais alta do mundo. Os engenheiros hidráulicos e arquitetos romanos criaram uma obra-prima técnica que é também uma obra de arte.

 Monumentos famosos

Em uma ilhota rochosa, no coração de uma imensa baía, na divisa entre a Normandia e a Bretanha, ergue-se o Mont Saint-Michel e sua prestigiosa abadia beneditina, fundada em 966. A construção da abadia, que se estendeu do século XI ao XVI — adaptando-se a um local de difícil acesso e topografia desafiadora —, representou uma verdadeira proeza técnica e artística. A UNESCO classificou o local como uma “Maravilha do Ocidente“, um sítio que recebe mais de 3 milhões de visitantes por ano.

Residência privilegiada da monarquia francesa de Luís XIV a Luís XVI, o Palácio de Versalhes — transformado em museu em 1837 — é uma obra-prima da arquitetura clássica. O complexo é formado por um conjunto de pátios e edifícios que preservam a harmonia arquitetônica. Ele ocupa uma área de 63.154 m², distribuídos em 2.300 cômodos — dos quais 1.000 são destinados ao museu —, e seu parque estende-se por 815 hectares. O conjunto do palácio e do parque constitui uma realização artística única, tanto por sua grandiosidade quanto por sua qualidade e originalidade.

As Praias do Desembarque

 Ao longo de pouco mais de 80 km da costa da Normandia, as praias do Desembarque aliado, de 6 de junho de 1944. foram o cenário de uma batalha decisiva para libertar a Europa do nazismo e pôr fim à Segunda Guerra Mundial. Essas praias estão diretamente e materialmente associadas ao Desembarque, chamado  – Dia D – pelos americanos. A inscrição, concedida em 2026, abrange as cinco praias do Desembarque conhecidas pelos codinomes Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword, mas também a Pointe du Hoc — local de combates decisivos —, a bateria de artilharia alemã de Longues-sur-Mer e o porto artificial de Arromanches, composto por enormes caixotões de concreto fabricados na Inglaterra para facilitar a logística aliada. Numerosos cemitérios militares e monumentos comemorativos estão associados a esses locais.

O Patrimônio Imaterial

Entre os 30 elementos inscritos como Patrimônio Cultural Imaterial, podemos citar: o Fest-Noz, uma festa baseada na dança tradicional bretã; a técnica da renda de Alençon; a refeição gastronômica dos Franceses; o gwoka, que combina música, canto e dança da ilha de Guadalupe; a tapeçaria de Aubusson; o carnaval de Granville; os Gigantes e Dragões das festas processionais do norte; a equitação de tradição francesa; as festas do fogo e do solstício de verão nos Pireneus… e muitos outros que, a cada ano, despertam sonhos e testemunham a riqueza e a diversidade do patrimônio francês, merecendo ser inscritos como Patrimônio da UNESCO.

 

Fotos © : JM Gard Tourisme, LesCoflocs, Gilles Lefrancq /Alain Hocquel , Marjorie Hodiesne -Carnac Tourisme, X. Lachenaud/Attitude Manche, Château de Versailles/T.Garnier, D. Dagnier/CD50

 Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro.

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