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Machu Picchu para conquistar o ouro

Por Chantal Manoncourt

A Cité de l’Architecture em Paris apresenta a exposição “Machu Picchu e os Tesouros do Peru”, um mergulho fabuloso no mundo dos Incas, como a antologia de um mundo perdido.

Esquecido pelos conquistadores espanhóis e enterrado sob o verde, Machu Picchu, empoleirado no cume de uma montanha nos Andes, revela seus mistérios. Descoberta em 1911 pelo explorador americano Hiram Bingham e classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1983, a cidade inca esconde tesouros suntuosos revelados ao público. A exposição é enriquecida pelos reinos pré-colombianos (Chavin, Nasca, Mochica, Huari, Chimu) através de uma seleção de objetos de 3.000 anos de civilização que antecederam o Império Inca. Todas essas civilizações explicam o que foi o Império Inca, com incríveis gerentes e soldados garantindo a expansão e administração de um vasto território de mais de 900.000 km2. Os incas desenvolveram notavelmente a maior rede rodoviária existente antes da era industrial. Sua grande força foi saber integrar os sucessos dessas civilizações anteriores.

Cocar frontal
Quipu
Brincos

Reunidos pela primeira vez, mais de duzentas peças originais, algumas das quais nunca deixaram o Peru, ilustram sua história: impressionantes adornos reais, jóias de ouro e turquesa, túnicas de múmia, cerâmica decorada com cenas eróticas ou sagradas, além de vasos surpreendentes representando a transformação xamânica. Entre as obras-primas a serem descobertas estão um cocar frontal em ouro mochica decorado com felinos e condores, uma tigela bimetálica apresentando uma cena mitológica, uma máscara funerária representando o rosto do deus criador Ai-Apaec, uma divindade tão temida quanto venerada. Mas no meio desses tesouros, o visitante descobre intrigado uma vitrine que abriga finos cordões reunidos em um colar. Adereço fúnebre? objeto de adoração? Na verdade, ficamos sabendo que esse objeto misterioso, chamado quipu, era usado pelos incas para manter suas contas. Na língua quíchua, quipu significa nó.

Tigela bimetálica

Estas maravilhas são objetos de uma encenação surpreendente que convida a penetrar no misterioso mundo dos Incas, herdeiros dos sucessos arquitetônicos e artísticos das civilizações do antigo Peru.

Máscara funerária

Melhor ainda, o público poderá entrar no sítio arqueológico de Machu Picchu, santuário no topo dos Andes, graças aos capacetes de realidade aumentada! O local, listado como Patrimônio Mundial da UNESCO, foi filmado por drones. Isso possibilitou criar uma experiência virtual imersiva que dá a ilusão, sentado em uma poltrona, de sobrevoar a cidade misteriosa como um condor e caminhar por lá seguindo os passos de um herói mitológico. Uma visão surpreendente da cidade que nunca deixa de fascinar.

Serviço: Cité de l’Architecture, 1 place du Trocadéro 75116 Paris, até  4 de setembro 2022.
Fotos: © Musée Larco, Lima-Pérou

Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro

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