Por Chantal Manoncourt
Em Paris, para celebrar os 140 anos da Estátua da Liberdade, o Museu d’Orsay presta homenagem a Auguste Bartholdi criador da famosa estátua, com uma exposição que narra a história de sua obra monumental, enriquecida por uma experiência de realidade virtual.

Estátua marcou a amizade entre a França e os Estados Unidos
Icônica e, ao mesmo tempo, enigmática, a Estátua da Liberdade, em Nova York, personifica um ideal compartilhado por dois povos e uma mensagem dirigida ao mundo. Sua silhueta é universalmente reconhecível, mas quem realmente conhece a sua história?



O escultor Auguste Bartholdi relatou as origens de seu grande projeto, propondo celebrar, por meio de um monumento, a amizade entre a França e os Estados Unidos em 1876, por ocasião do centenário da Declaração de Independência americana.
Grande viajante, o jovem Bartholdi, ao navegar pelo Nilo, impressionou-se com a grandiosidade das estátuas egípcias e idealizou uma obra monumental. Diversas alegorias da Liberdade e da República criadas desde a Revolução Francesa podem tê-lo inspirado a definir a iconografia de A Liberdade Iluminando o Mundo, levando-o a selecionar atributos específicos.

Ele foi dando forma, gradualmente, às ideias que compartilhava: a Estátua da Liberdade ergue bem alto a tocha do progresso; sua cabeça é adornada por um diadema radiante; ela segura uma placa com a data da Independência; com um pé, esboça um movimento para a frente e, com o outro, pisa sobre uma corrente rompida.
De Paris a Nova York
Por meio de maquetes, estatuetas e desenhos, o visitante acompanha a evolução das etapas, desde a concepção até a construção realizada nas oficinas Gaget e Gauthier, em Paris. Entre 1881 e 1884, sucederam-se a criação do modelo em gesso da mão esquerda e, posteriormente, da cabeça e da tocha. No entanto, surgiram dificuldades; Bartholdi e sua equipe precisaram demonstrar imaginação, ousadia e tenacidade para promover e construir aquela que era, na época, a maior estátua do mundo (46 metros de altura; 93 metros incluindo o pedestal).

Em 4 de julho de 1884, a estátua concluída foi entregue simbolicamente ao embaixador americano em Paris. Em seguida, foi desmontada, acondicionada em 230 caixas e transportada de trem até Rouen e, depois, de navio até Nova York. No entanto, do lado americano, nada estava garantido, pois a campanha de arrecadação de fundos para o pedestal não havia atingido o valor total necessário.

Embora a pedra fundamental tenha sido lançada em 5 de agosto de 1884, a conclusão das obras estava ameaçada pela falta de recursos. O jornalista Joseph Pulitzer lançou então um apelo às classes populares em seu jornal sensacionalista, The World, conseguindo arrecadar 102 mil dólares para o comitê americano junto a mais de 120 mil doadores.
A glória de Bartholdi
Em 28 de outubro de 1886, o presidente americano Grover Cleveland inaugura o monumento com grande pompa: desfile civil e militar na Broadway, parada naval, cerimônia de revelação e queima de fogos de artifício. Auguste Bartholdi é, então, uma celebridade, tanto nos Estados Unidos quanto na França.
Nas décadas seguintes, a Estátua da Liberdade torna-se um verdadeiro ícone mundial. Emblemática dos ideais de sua época, a Estátua da Liberdade testemunha uma fé inabalável no progresso — tanto humano quanto técnico — e em valores universais aos quais a arte pode conferir uma forma inteligível. Essa fama faz com que ela receba a visita de 4 milhões de pessoas todos os anos.

Além disso, a experiência em realidade virtual faz reviver, em tempo real, a origem dessa aventura — permitindo acompanhar o diálogo entre as figuras que deram vida à famosa estátua — e transporta os visitantes para o coração de um dos projetos artísticos e técnicos mais ambiciosos do século XIX. Ao longo da narrativa, eles se tornam testemunhas ativas do nascimento de um sonho franco-americano que se transformou em um dos símbolos universais da liberdade.
Serviço: Auguste Bartholdi, La Liberté éclairant le monde au musée d’Orsay 75007 Paris. Até 31 de janeiro 2027.
Fotos: © Musée Bartholdi/C.Kempf ; GEDEON Experiences – BackLight – musée d’Orsay – VIVE Arts
Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro.
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