Fayga Perla Krakonsky nasceu na Polônia no dia 14 de setembro de 1920. Em 1934, veio para o Brasil e naturalizou-se brasileira. Casou -se com Heinz Ostrower em 1941 e adotou o sobrenome do marido como nome artístico também. Foi gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, teórica da arte e professora.

Já em 1943 ganhou menção honrosa no Salão Paulista de Arte Gráfica. Em 1947, deu aulas na fundação Getúlio Vargas e, em 1955, foi para Nova Iorque com uma bolsa de estudos da Fundação Fullbright. Teve influência no seu trabalho das obras de Paul Cézanne (importante artista francês), com isso fortaleceu seus laços com o estilo abstrato.
Fayga ganhou inúmeros prêmios, entre eles o Grande Prêmio da Gravura da Bienal de São Paulo em 1957 e da XXIX Bienal de Veneza de gravura, além de participar de várias exposições e individuais! E em 1969, ganhou o grande prêmio de gravura na Trienal Internacional em Capri, na Itália. Entre 1954 e 1970, ministrou aulas de composição e análise crítica no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro. Na década de 60, no Spellman College em Atlanta, nos EUA, e na Slade School of Fine Arts, em Londres, na Inglaterra (uma das melhores escolas de artes do mundo).

Deu aulas em várias universidades brasileiras, como professora de pós -graduação. Um dos seus trabalhos mais conhecidos, foram os cursos ministrados por ela, para operários e centros comunitários, para divulgar a arte. Foi palestrante em universidades e várias instituições culturais no Brasil e exterior. Dentre vários dos seus alunos, destacam-se Anna Bella Geiger, curadora, e Lygia Pape, artista plástica (ainda falarei delas nas próximas colunas). Foi membro honorário de muitas instituições no Brasil e no mundo e condecorada também!
Mas, o mais impressionante, foram os livros sobre arte e criação que Fayga nos deixou , entre eles “Criatividade e processo de criação”, “Universos da Arte”, “Acasos e criação artística” e muitos outros artigos, livros e álbum de gravuras! Em 2015, foi homenageada com o livro “Fayga Ostrower”, com a curadoria de Anna Bella Geiger.

Fayga morreu aos 81 anos de câncer no intestino. Deixou dois filhos, três netos ,uma obra incrível e livros especiais para todos que querem entender mais sobre o processo criativo e da arte!
Falar do artista é incluir sua biografia, às vezes pode parecer que falo apenas do currículo, mas vocês percebem que são artistas tão influentes e com obras vastas, que é impossível descrever TUDO o que fizeram ou influenciaram?
Tive a oportunidade de assistir e ler um dos livros da Fayga! E foi muito interessante pois, no meio da sua palestra, um colega fez uma pergunta que seria muito simples se ele não tivesse usado todos os jargões técnicos possíveis… Fayga (prestando bastante atenção) respondeu para ele, (com aquele sotaque musical) que ele desculpasse, mas ela não tinha entendido a pergunta! Achei demais! Naquela dia, entendi que ela, uma artista e uma das teóricas da arte mais importantes do mundo, falava sempre (e escrevia!), da forma mais simples possível, de um jeito que qualquer leigo poderia entender!

Em contrapartida, conheci muitos artistas que usam todos os termos técnicos numa conversa, coisa que sempre achei pedante e nada instrutivo! Para falarmos da arte precisamos ser entendidos! A obra precisa ser “sentida” e pode sim ser complexa! Mas o “falar” de arte precisa ser simples e inteligível para maioria!
Li o livro “Acasos e criação artística”, (lembro que a Mira Benvenuto que me apresentou a obra pela primeira vez e assim conheci a Fayga) e simplesmente a leitura flui! Falar de um processo que exige prática e que seja facilmente entendido é um dos maiores desafios para qualquer teórico da arte. Fayga Ostrower fez isso muito bem!

Tem um outro detalhe! Ela desenvolvia sua obra, desenhava, pintava, gravava…Fortalecia seu próprio processo de criação. Quando o artista plástico deixa de lado seu trabalho, seu “fazer artístico”, a obra torna-se um discurso vazio ou um conceito “bla bla bla”, sem sentido! Quanto mais prática , mais conteúdo, mais fortalece tanto a obra quanto a teoria, se esse artista for escritor ou professor.
Aquela foi uma das melhores palestras que ja assisti! Precisávamos de mais “Faygas”, mas como ela, nunca mais…
Fiquem bem! Viva a vacina! Viva o SUS! Cuidem-se para chegar a longevidade dessa artista e viverem plenamente!
Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
Foto: Instituto Fayga Ostrower

