Ossos do ofício

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Por Ângela Diana

Ontem fomos dar um curso rápido de cimento celular no Sesc Cadeião Cultural.

Olhe só os “ossos do ofício”! Tivemos que ir de Uber para a Leroy Merlin (não é propaganda, ok? É o único lugar perto de casa que vende os blocos). A entrega da loja é cara! Fizemos as contas e percebemos que ficava mais barato ir de Uber! Até aí legal, né? Só que não!

Na volta, estávamos lá, chamamos um Uber e avisei a motorista que, para nos pegar, precisava entrar e subir a rampa com o carro… Mandei o recado, ela viu e não me respondeu. O pessoal que trabalha na Leroy no setor nos avisou que poderíamos pedir para pararem ali, que todos os motoristas faziam isso. Vi pelo app que ela chegou, ficou parada na porta e foi embora. Cancelou a corrida na cara dura.

Logo, pegamos outro! Esse foi extremamente chato! Foi perguntando se era pedra, se era pesado, porque isso ele não carregava no carro… Eram três blocos finos de ciporex, leves! Eu expliquei que era leve e que iria no porta malas… O rapaz desceu e abriu o porta malas. Rumo a casa, o Rogério, ainda bravo, me conta que o guarda da porta da loja perguntou para ele se ele ia sair e levar o carrinho (quando você pega o material, o pessoal cede um carrinho de mercado para você ir até o portão. Fiquei pensando o que o guarda achou: que a gente ia dar correndo com o carrinho, com três blocos de ciporex dentro?). E  o motorista do Uber pensou o quê? Que o carro dele ia rebaixar com o “peso das pedras”?🤦

Esculturas de Rogério Rigoni – Foto: Acervo pessoal

Posto isso, o Rogério bravo e eu segurando minha raiva, chegamos em casa, agradecemos o motorista e entramos.

A aula foi à noite, pouquíssimos inscritos… curso gratuito, ar condicionado, sala, conforto.

Meio da semana? Ninguém se interessa mais? Falta de divulgação? Sinceramente, eu não sei! O curso foi para o site do Sesc Cadeião, páginas sociais e “boca a boca”… Claro que, não importa quantas pessoas estão lá, demos a aula com a maior dedicação… Mas, admito, que muitas vezes é um balde de água fria! O que nos deixa contentes é o entusiasmo das pessoas que foram e a alegria quando saem com sua peça pronta!

Agora é o seguinte! Quanto de preparo tem o guarda que fica na porta da loja, para não perceber que somos clientes, que pagaram o produto e que estávamos esperando o Uber? Será que fomos os únicos que desceram com aquele carrinho? E o motorista? Será que não fica um pouco claro que, se estou na Leroy, não fui lá para tomar sorvete? E que, com certeza, preciso de um carro porque tem coisas que não dá para levar no ônibus?

Não foi a primeira vez que passei por isso… Há anos, minha mãe e eu tivemos que pegar um táxi para levar algumas obras na Secretaria de Cultura (muitooos anos atrás!). Demoramos mais de uma hora até achar um táxi que levou a gente com as obras! Ninguém queria levar! A tinta está fresca? Não! Ia estragar o carro da pessoa? Não! Até hoje não entendi!

Mais ossos do ofício

Ainda temos o mesmo problema para mandar obras para fora de Londrina! As transportadoras pedem que se pague um seguro em cima do valor da obra, o que muitas vezes torna-se impossível! Primeiro que nem sempre a obra segue um valor específico e quase nenhum artista daqui tem dinheiro para pagar um seguro e ainda mandar a obra! A realidade é essa! E muitas transportadores NÃO LEVAM! Com seguro ou não! Então como escoar uma produção? Como enviar uma obra, caso o cliente seja de fora?

Alguns artistas fazem pinturas na loja e no papel e mandam pelo correio. O que nem sempre dá! Porque o correio tem medidas pré-estabelecidas…

Mandar esculturas para Fora da cidade? Dá para fazer isso? Dá! Quando a transportadora aceita.

É uma “ilha” aqui ou não?

É difícil fazer e vender arte se não há como escoar os trabalho. A gente passa perrengues até para conseguir materiais, mas são ossos do ofício
Pinturas de Ângela Diana – Foto: Acervo pessoal

Não são simples reclamações! São fatos! Se você não tem como escoar sua produção e não consegue vender aqui, voce faz o quê?  Existe alguma vontade política do setor que cuida disso em Londrina para aliviar um pouco todos os problemas dos produtores? Não!

Isso também seria caso da secretaria conseguir pontes para que os artistas pudessem escoar a produção, isso não seria tão difícil!

Ossos do ofício…

Bastidores!

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos. Instagram angela_dianarte

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