Luto por Ariel e futuras colunas sobre artistas

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Por Ângela Diana

Nesse final de semana, perdemos o artista plástico Ariel Freire.

Soubemos por amigos que ele teve complicações pulmonares.

A coluna, à partir da semana que vem, será sobre um ou uma artista plástica de Londrina.

Estou fazendo um levantamento com amigas e amigos sobre os artistas e também estou aguardando algumas informações com o pessoal da Secretaria de Cultura sobre documentações (que parece-me estar na Biblioteca Pública) sobre os artistas.

Até aonde pude analisar, os artistas plásticos de Londrina estão fadados a serem esquecidos.

O cenário é sombrio.

Alguém pode falar que não são só os artistas plásticos. Em parte concordo, mas com essa classe artística é muito pior.

Já pelo próprio processo do trabalho que é “solo”, que não se cobra ingressos para entrar em exposições, que não se cobra para que você possa ter um catálogo ou um postal com o trabalho do artista, que não se fazem “brindes”. As obras são feitas com o dinheiro que sai apenas dos nossos bolsos e não sobra para “objetos vendáveis” como camisetas, canecas, como se faz nos grandes museus. O artista fica apenas com sua obra exposta e vende algumas. E não tem tempo para grandes reuniões, pois o trabalho de sobrevivência é cruel. Muitos artistas trabalham de sol a sol e fazem suas obras nas horas vagas! Jamais deveria ser assim! Artistas deveriam ganhar seu sustento digno com sua arte!

E ainda agradecemos aos pouquíssimos espaços que tem equipe de montagem, que leva e traz as obras e que, no momento, até aonde sei, apenas o Sesc Cadeião Cultural faz isso! Colocando uma equipe para ajudar o artista do começo até o fim da exposição, inclusive nas redes sociais do Sesc.

Existe uma “lenda” em torno dos artistas plásticos daqui, de que somos “desorganizados” ou que “brigamos entre nós”… É mesmo?

Como um artista que depende de outros trabalhos, que tem que tirar do próprio bolso dinheiro para fazer sua obra, “mendigar” que os impostos que ele ou ela também paga, voltem para a cultura, que é gente e tem que lidar com questões familiares e pessoais sérias, vão ter tempo para “politicagens”? 

E, sim, a expressão é essa! Políticas públicas sérias são outra coisa!

Não são os artistas plásticos “desunidos”, é a própria cena cultural da cidade que sempre foi desunida! 

Exemplo? Quantos  grupos de teatro convidaram artistas plásticos para fazerem um cenário ou estilistas da cidade para os figurinos?

União ou desunião entre artistas?

Quantas pessoas no meio da cena cultural não quis ou não quer se “indispor ” com os vários secretários que já sentaram na cadeira (com um enorme salário, diga-se de passagem) da Secretaria de Cultura?

Que união é essa?

Ou que desunião é essa?

Na primeira Conferência de Cultura da cidade, eu fui uma das delegadas. Todos os artistas e representantes das artes plásticas se reuniram e colocamos 10 pontos importantíssimos… Sabe o que aconteceu? No “plenário”, vários políticos que nem deveriam estar ali, falando absurdos sem nenhum conhecimento técnico profundo sobre administração cultural e nem sobre a cena cultural de Londrina. Nenhum dos nossos pedidos foram sequer colocados na pauta ! O resultado é esse que todo mundo vê… Nossos pontos de vista unidos não só beneficiaria as artes plásticas, mas também todo o cenário artístico da cidade.

A pergunta que fica é essa: se a cultura, tirando os artistas plásticos (que são tão “desorganizados politicamente”), está unida, cadê o resultado nesses anos todos?

Porque o resultado da “desorganização ” dos artistas plásticos em idos passados, com outras áreas aonde tinha gente corajosa para “peitar politicagens”, foi o Departamento de Cultura não fechar, virar Secretaria e o prédio da Antiga Rodoviária virar Museu de Arte. Se para você isso é pouco, pense …

Uma coisa muito importante! Dentro da Secretaria de Cultura existiam funcionários públicos que conheciam todos e todas as artistas e seus representantes, seja no teatro, dança artes plásticas, etc e nos procuravam!

Eles agiam dentro do que se esperar que uma secretaria faça!

E uma Secretaria de Cultura tem por obrigação fazer a ponte entre produtores e a cidade!

Dica “facinha”> vá até o guru Google e coloque lá “para que serve uma Secretaria Municipal de Cultura na cidade”?

A lista de obrigações é enorme.

Você sabe quanto tempo leva para pintar uma obra de um metro por um? Às vezes horas, às vezes meses! Como um artista vai sair de casa, deixar sua produção num hiato e ir atrás de secretarias que deveriam fazer seu trabalho e que todo mundo ganha para isso e ir atrás de fomento? 

Pois é isso que acontece aqui.

Há anos.

Eu já disse num vídeo, o sistema vigente, inclusive em Londrina, não gosta de artistas! Tudo o que pode nos proporcionar trabalho remunerado é fechado ou nos é tirado .

Não são ataques pessoais, são cobranças que qualquer cidadão pode e deve fazer, já que pagamos impostos altos!

E as instituições recebem verbas, sim! E essas verbas precisam voltar para os artistas! No caso, para todas as áreas da cultura!

Eu não trago “achismos” aqui.

Trago experiências, relatos de colegas e estou buscando saber respostas nas áreas que podem me dar essas respostas.

Tenho entrado em contato com várias pessoas, inclusive com artistas de outras áreas que estão com projetos fantásticos de música, do movimento do grafite, Hip Hop, poesia, HQs… E que lutam a duras penas para colocarem esses projetos para funcionar! 

Descobri que tenho a “fama” de ser difícil de trabalhar porque faço do meu jeito .

Acho até engraçado isso! 😂

Creio que isso veio do tempo em que, todo ano (quando tinha o curso de arte no projeto do União da Vitória), tinha que brigar para não transformarem as crianças do projeto em propaganda política para prefeitos que não faziam nada para a comunidade das artes e muito menos para as crianças !

Perdemos um grande artista, Ariel Freire. E a partir das próximas semanas, vou mostrar o trabalho de artistas de Londrina
Foto: Acervo Secretaria Municipal de Cultura

Acho ótimo ter essa “má fama”!

Várias pessoas me falaram disso.

Obras de arte, projetos artísticos não são e nem devem ser propagandas políticas! São trabalhos de pessoas sérias que fazem pela sociedade o que muito politiqueiro, que é pago para isso, não faz!

Existe uma ética de trabalho que nunca falha e que sigo à risca: se você é uma pessoa séria, que respeita o trabalho seja de quem for e que não quer passar por cima de ninguém para se dar bem, saiba que terá meu respeito.

Se não, você terá o meu pior.

Pessoas que não respeitam a arte, que não respeitam os artistas, merecem o pior: o apagamento!

E acredito que a conversa vai ser ótima!

Acredito – isso também é muito pessoal – que pessoas se entendem quando é “olho no olho” e que não existam, na conversa, “cargos, apenas “pessoas” qe se entendem muito melhor!

A coluna Vida de Artista sempre está e estará aberta para que informações sobre o cenário das artes chegue até você. E que artistas de qualquer área tragam seus projetos, tragam suas ideias, ideais, seu olhar…

Na área do underground temos o DNA do Rock, do Rogério Rigoni. Na parte de tendências e olhar sobre a cidade, as colunas da Ana Paula (Crônicas de Uma Cidade e Em Alta); na parte de Economia Criativa, a Edra Moraes que fala sobre tudo que diz respeito ao movimento! Falta de canais para se discutir e mostrar questões, histórias, políticas públicas para a arte e a cultura de Londrina, não tem nem como falar que não existe! Basta ler o jornal O LONDRINE̅NSE para saber!

E, aguarde, os artistas e as artistas plásticas da cidade estarão aqui na coluna, toda quarta! 

Aqui, ninguém será esquecido! ❤️

E fica meus sentimentos para a família do nosso amigo Ariel Freire…. ❤️ 

Que tenho certeza que agora está junto com nossa tribo espiritual de artistas e com as pessoas e amigos que o amam.

Foto principal: uma imagem gerada por IA/Grok em homenagem a Ariel Freire

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Instagram angela_dianarte

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE

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Respostas de 2

  1. Parabéns pelas reflexões! Londrina é um celeiro de grandes artistas. Infelizmente, artistas da geração do Ariel Freire estão indo embora sem que suas obras estejam minimamente catalogadas. Londrina precisa, com urgência, criar condições para que os que ainda estão no front de batalha das artes possam sobreviver com dignidade, até para que continuem a criar, por mais tempo, uma vez que a média de idade deles é de mais ou menos 65 anos. Preservar essa geração é garantir, também, o nascimento de outras gerações. Sem isso, não há história, não há memória e nem futuro para o desenvolvimento cultural da cidade.

    1. Pois é Rubens! Concordo! Trazer ao menos um artista cada semana pra a coluna, mesmo de uma forma resumida da sua obra, é tbem uma maneira, de lembrar o nome e o trabalho de cada um deles e delas…para mim é uma etapa inicial, para criar oportunidades das pessoas conhecerem os artistas! E toda ideia , historia com esses artistas, sera muito bem vinda!!!

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