Por Angela Diana
Hoje, ouvi de uma amiga a seguinte frase: “a arte salva a gente da loucura”.
Quantas vezes já escrevi aqui que a “arte é importante”, que a “arte muda as pessoas e pessoas mudam o mundo”, mas devo acrescentar que principalmente a arte “salva” primeiramente quem cria. Imagine um mundo aonde a maioria das pessoas tem medo de usar uma camiseta com cor diferente ou um acessório, como brincos, “para não chamar a atenção”, onde seguir o que a maioria fala é o “normal” e SER NORMAL é querer estar e ser igualzinho ao outro… Aonde usamos maquiagens para esconder o rosto e não aceitamos nosso corpo, nossa pele, nosso cabelo, porque não estão no “padrão” de capas de revistas.

É um mundo fantasioso…Mas sem a mágica de um “Senhor dos Aneis”, do Tolkien, ou de “Harry Potter”, da J.K Rowling…A arte nos traz essa magia! Uma conexão, como só uma prece muito sincera e profunda pode nos dar… Creio que, pela maioria das pessoas serem tão duras e difíceis, e o mundo, que por um lado é lindo, mas quando seres humanos fazem parte dele, a coisa toda muda de figura (fica quase insuportável de aguentar a tal falada “realidade”!), a arte vem como um remédio para aliviar as dores, as angústias, as mazelas que o nosso espírito carrega… Para alguns é uma memoria atávica; para outros, sofrimentos de outra vida, ou o inferno é aqui mesmo para a grande maioria! Não importa como você enxergue, a questão aqui é que a vida não é uma festa e todos temos que enfrentar nossos “demônios”!
E observem como tudo muda de figura quando aprofundamos um “pouquinho” a palavra “demônio”. Ela vem do grego “daêmon”, que eram os guardiões da casa, seres protetores. E ai? Muda de figura ou não? E as “sereias”, então? Que, na verdade, pelas lendas, eram metade mulher e metade PÁSSARO! Já metade mulher e metade peixes eram as nereidas (alguém por acaso já viu peixe cantar?)! O que me lembra a obra do Magritte, em que ele coloca as “sereias” com cara de peixe e pernas de gente, assim como a Leticia Marquez já fez essa figura mitológica também…

Percebem como a arte e o conhecimento “subvertem” a ordem estabelecida? A arte nos permite o que é mais precioso para o ser humano: a liberdade. Ninguém é feliz “preso” a um trabalho que não gosta, a uma situação imposta … Na arte, o artista esta sempre nú, ele (ela) mostra o mais profundo dos sentimentos e emoções e fala tudo o que não é permitido falar, principalmente por sociedades hipócritas.
No auge da pandemia, pintei um mural em casa… Ainda não está completamente terminado, mas quando olho para ele hoje, SEI que quando o fiz, foi para termos algo simbolizando que podíamos estar passando por uma situação incontrolável e assustadora, mas olhar pra ele me faz acreditar que além do que pode acontecer existe sempre um céu para nos acolher, um céu azul de inverno, beija-flores e borboletas saindo dos seus casulos, uma bela árvore para abraçar e a chuva que cai num dia de verão…

Eu, como artista, prefiro e escolho ver a magia da luz do sol passando pelas árvores como num filme, que mostra aquelas florestas medievais… Uma vez, o Rô, meu marido, me perguntou porque eu gosto tanto dos filmes do Harry Potter… Eu adoro filmes que tem mistérios, magias, encantamentos… O que seria da nossa vida sem artistas, de todas as áreas, e sem a arte?
Estaríamos todos loucos sem ter quase nada nos servindo de alívio… A arte para nós, artistas, é também uma maneira de nos comunicar com mundos, abrindo suas janelas e portas para vocês olharem e sentirem que são muito mais especiais do que às vezes… Pois somos ÚNICOS! E essa é nossa maior conquista como seres humanos!
Carpe diem! E lembrem-se pessoal!! Colaborem com o @olondrinensejornal através do catarse.me/olondrinense Colaborem com essas mulheres guerreiras e com esse jornal que só nos dá orgulho em participar!
Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
Foto: Acervo pessoal
