Artista: seja uma das vozes que ecoam para ter direitos adquiridos e respeitados

tela Ângela Diana

Por Ângela Diana

Sempre a velha história… 

Vou bater em uma tecla que estou na batalha há tempos. Ou seja, melhores condições de trabalho para os artistas. No Brasil, a profissão de artista plástico (ou visual) não possui uma regulamentação específica e abrangente em nível nacional. 

No entanto, a categoria é enquadrada na Lei 6.533/1978 e na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Além disso, projetos de lei recentes avançam no Congresso Nacional para instituir um marco legal exclusivo para esses profissionais.  Vide Google.  

Não faz sentido, em um país que tem faculdades de artes, a profissão não ser regulamentada, mesmo dando direito a uma “carteirinha” Ora, o que a emissão de uma carteira pode fazer por nós?  Ela faz apenas o que a apresentação de um currículo já faz.  

Direitos básicos

A classe artística precisa de uma renda básica, aposentadoria especial e por insalubridade, benefício para casos de doenças( e temos muitas,desde alergias crônicas, problemas nas mãos por esforço repetitivo, entre outras).

 Muita gente não consegue entrar em editais ou pagar o INSS, e mesmo quando paga e consegue se aposentar, o salário mal dá para sobreviver, não é o suficiente para ajudar na comprar material de trabalho. Mas, ainda é extremamente necessário que os artistas possam contar com este benefício.

A contrapartida social se dá desde quando o artista começa sua carreira, já que na maioria dos casos, as obras são doadas para museus e instituições de caridade. Tudo o que o artista faz é visto para um público, como por exemplo, as exposições de arte. E, muitas vezes, no caso do e da artista plástica, a entrada é GRATUITA.  O artista não ganhou nenhum cachê para mostrar sua obra. 

Artistas sem direitos reconhecidos legalmente

São inúmeros os casos de artistas não reconhecidos que fazem mais de duas ou três jornadas de trabalho, quase sempre em áreas diferentes do que eles produzem, para se manter.  Como um país como o Brasil, rico, onde a cultura não deve nada para ninguém, não protege seus artistas e não dá nenhum incentivo robusto para a classe.  E, neste caso, estou falando do artista plástico.

E, antes de mais nada, acho ridículo colegas de profissão batalharem para mudar o nome das “coisas”, como diferenciar um artista plástico, de um artista “visual”, enquanto nem temos uma profissão REGULAMENTADA E DIREITO ADQUIRIDO!! 

Antes que eu me esqueça:para os que acham que artistas querem VISIBILIDADE: VÃO TOMAR NAS SEUS DEVIDOS LUGARES , AONDE O SOL NÃO BATE!

O que todo artista quer é RESPEITO!! E lógico, DINHEIRO PARA PODER VIVER COM DIGNIDADE E FAZER O SEU TRABALHO!! E agora, falo para a classe: parem de pedir migalhas. Comece por aprender qual a finalidade de cada órgão público. Desde a secretaria de Cultura até uma universidade pública e quais são os DEVERES , desses órgãos para os profissionais da área. s

Sejam uma CLASSE! Onde um não pode “largar da mão do outro” Parabéns se você conseguiu um cargo de professor na universidade, um espaço numa galeria, um cargo no governo, uma expo fora do país! Saiba que mesmo sendo um trabalho solitário, você ainda faz parte de uma CLASSE. E, SEM A UNIÃO DESSA CLASSE, JAMAIS TEREMOS DIREITO À NADA! 

Talvez, se cada um colocar seu ego no congelador um pouco, ajude. Olhe para o que você faz como um TRABALHO, que merece ser respeitado e PAGO! E saiba, que quem está num cargo público, ganha o SEU DINHEIRO oriundo dos impostos. Essa pessoa tem por obrigação fazer o certo, dentro de normas e leis. 

SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ QUER NO MUNDO. Seja uma das vozes, além da imagem que o seu trabalho traz, que ecoam para que nossos direitos sejam adquiridos e respeitados! 

Posto isso, fico por aqui hoje.  

Boa semana. 

Disque 180 para violência contra mulher 

#justicaparaorelha #justiçaparatodososanimais

fotos: telas acervo pessoal e escultura Rogério Rigoni,

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Instagram angela_dianarte

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