Por Ângela Diana
Ontem de manhã, me deparei com o post do @fepelino (que recomendo, aprendo bastante com as colocações sobre arte que ele faz) que foi sobre colocar um conceito, um texto para explicar uma obra!
Às vezes até, como vi uns comentários, do LADO da obra!
Tem noção de como isso é CHATOOO?
Explicações ou estudo de obras é uma coisa, mas colocar COMO você deve ver determinada obra é absurdo!
A obra é para ser “sentida”, às vezes tocada. Por vezes, você precisa escutar, ler, apreciar, se indignar, odiar, amar…Ou até pesquisar sobre algum assunto porque a obra trouxe questionamentos!
Sabe o ditado “a arte existe porque a vida não basta”?(Ferreira Gullar)

É sobre isso também!
Milhões de “coisas” não tem explicações dentro do nosso corpo, que dirá no universo?
E olha que, para mim, as coisas precisam fazer sentido!
Sim! Mesmo que pareçam absurdas, existem realidades que fazem sentido… Outras, nem tanto…
Nessa discussão, veio outra… O quanto o ser humano tem medo de mudar de ideia? Porquê a arte nos ensina a ver por vários ângulos …

O que não deixa o ser humano mudar? A meu ver, o ORGULHO.
Para você admitir que está errada ou errado sobre alguma coisa ou que o assunto tem vários ângulos, precisa admitir que não existem verdades absolutas, mas que precisam fazer um sentido, certo?
Para isso, você precisa ter o mínimo de cognição, sendo que quem lê, escreve letra cursiva, desenha, pinta, dança, etc e tal desenvolve muito mais quem não faz isso. Mesmo assim, ainda é difícil mudar uma opinião… Porque, a meu ver também há a sensação de constrangimento, o medo de ser apartado de certos ciclos sociais. Ou seja , a rejeição é insuportável para algumas pessoas.
Estou errada?
O caso é que, na arte, isso, esse constrangimento, o ser “apartado”, já vem no nosso DNA…
Porque a arte ensina a pensar, a quebrar padrões pré-estabelecidos.
Pode demorar anos… mas acontece.
Então, colocar a explicação do lado da obra não permite que quem está vendo já pegue a “coisa” mastigada! Nada instiga mais um ser humano quando ela ou ele não “entende”!
Sim! Tem artistas que fazem isso…Se renderam à ideia que precisa explicar sua obra para ela ser mais “vendável”…
Eu não julgo… Eu não conheço a vida da ou do colega… Existem muitos caminhos e tudo se resume numa palavra: INTENÇÃO.
Em tudo.
Qual a intenção!?
Ontem, especificamente nas redes sociais, estourou a propaganda do #Converse.
Na minha humilde opinião? Completamente HORRENDA! E de, no mínimo, quebrar uma tradição, principalmente nas tribos mais rebeldes como do rock and roll. Um tênis que virou cult, cultuado por combinar com tudo e quanto mais “detonado”, melhor!

Por que, por todos os céus, a Nike – que detém a marca do Converse hoje em dia, fez uma propaganda que, acredito, já tiraram do ar por causa dos protestos? Aos nossos olhos ocidentais , com símbolos racistas?
Faz sentido? Qual a intenção?? Estou me perguntando até agora!
Enfim, saibam que a moda tambem veio do mundo da arte e tambem é arte.
É cor, é movimento, é intenção.
Nesse caso, o da propaganda, sim! Como é um produto para ser VENDIDO, precisamos de explicação já que usou símbolos reconhecidos no ocidente como racistas!
Ok! Então uma obra pode ser racista? Sim! Poder pode! Mas você acha que DEVE ser?
E como a propaganda deve ter feito muita gente procurar explicação para os vários símbolos que lá estão.
Uma pisada de bola e ….
Vai fazer você pensar! E não é pensar sobre o mundo só (o que já é impossível!) é pensar sobre você mesmo ou o você mesma.
O que é certo ou errado para você?
O mundo que você enxerga cabe o diferente de você?
A arte questiona!
Hummm… e a propaganda da Converse vai fazer tudo isso? Sim.
Se não pela indignação para quem conhece a historia ou pela curiosidade de quem não conhece.
Para mim? Absolutamente execrável! Mas daria uma bela pesquisa sobre como uma marca que se tornou cultuada por pessoas rebeldes e que querem um mundo melhor para todos e todas erra feio…..muitoooo feio.
Lembrando! A arte é amoral! Ela faz pensar! A intenção é HUMANA!
Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
Instagram angela_dianarte
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