Um fantasma no caminho do LEC

tubafiel

O Londrina estreia neste domingo (10) no returno do Campeonato Paranaense.  Joga em Ponta Grossa contra o experiente time do Operário, que será um dos oponentes do Tubarão na Série B do Brasileiro. Nesta nova etapa da competição, o Alviceleste terá pela frente apenas adversários de seu grupo (A): além do time de Ponta Grossa, Toledo, Atlético, Foz do Iguaçu e Maringá. Os dois melhores deste grupo jogarão contra os dois primeiros do grupo B que tem Coritiba, Paraná, Cianorte, Futebol Cascavel, Cascavel Recreativo e Rio Branco.

A exemplo do LEC, o Operário vem de um “sprint” fantástico. Até alguns anos atrás, o Fantasma – apelido do time ponta-grossense – sequer participava de qualquer divisão nacional. Curiosamente, um ano após ser campeão paranaense de 2015 foi rebaixado para a Segundona Estadual. Em 2016 e 2017, se o clube dos Campos Gerais frustrou o torcedor ao não conseguir voltar à primeira divisão, por outro lado, conquistou o título da Série D do Brasileirão. Em 2018, dupla conquista: campeão da divisão de acesso e da Série C, o que lhe garantiu retorno ao Paranaense e presença na Série B ao lado de LEC, Coritiba e Paraná Clube. 

Lembram que, em 2009 e 2010, o LEC amargou a divisão de acesso do Paraná e, após a parceria com a SM Sports, foi campeão da Segundona em 2011?  Desde 2012, está na principal divisão do futebol paranaense. Sob o comando de Cláudio Tencatti, o Tubarão conquistou o Paranaense de 2014 – título que perseguia desde 1992 – e  também conseguiu o acesso na Série C (2014) e na Série B (2015). Nos três últimos anos, o LEC esteve bem perto de almejar o sonhado acesso a Série A do Brasileirão – duas vezes com Tencatti e ano passado com Roberto Fonseca.

O que chama atenção é o apoio incondicional dado pela torcida ao Operário. O programa de sócio torcedor já tem 8 mil inscritos. Enquanto isso, em Londrina, o clube não consegue emplacar um programa para atrair seu torcedor. Este ano, o “Sócio Tubarão” foi lançado como um desafio para contratar o ótimo Dagoberto, artilheiro da Série B pelo LEC em 2018 com 17 gols em 19 partidas. Aos 35 anos, Dagol tem tudo para defender o Tubarão neste ano também.

Mas se depender do desanimado torcedor londrinense, que ainda custa a aderir à campanha da diretoria, o atacante pode até ir para outro clube. O que não acredito porque em várias entrevista Dagol mostra-se disposto a vestir a camisa alviceleste. Incrível como um jogador tão diferenciado não atraia tantos torcedores ao estádio do Café. Tivemos públicos ridículos em 2018 – exceção aos quase 25 mil presentes no jogo contra o CRB-AL, em novembro. Este ano, com um elenco jovem, a maior bilheteria teve pífios 1,6 mil torcedores.

Como se vê, em campo, Tubarão e Fantasma competem em pé de igualdade. Nas arquibancadas, no entanto, a torcida ponta-grossense dá de goleada na londrinense. É hora da torcida do LEC reagir e evitar que outros fantasmas – como o fim próximo da parceria de sucesso com a SM Sports e um indesejável rebaixamento – voltem a pairar no futebol de Londrina.

BARBATANA – Já comentei nesta coluna o ótimo futebol do meia Luquinha do Londrina. E o garoto de 18 anos segue mostrando também nos treinos que quer uma vaga no time orientado pelo técnico Alemão. Na semana passada, em jogo-treino contra o Apucarana, Luquinha marcou dois dos quatro gols da goleada do LEC por 4 a 0. A dúvida é: seria prematuro escalá-lo já como titular na vaga do Marcinho, que não vem jogando bem? Ora, a direção do clube não optou por jogar com a base no Estadual para dar “rodagem” aos garotos? Que melhor oportunidade esses meninos terão para jogar? Na Série B é que não, pois a competição requer um time mais experiente. Então, que Luquinha logo tenha uma chance de iniciar uma partida como titular.

MANDÍBULA – A cornetada do ex-jogador Neto a Neymar, do PSG, rendeu muitos comentários nas redes sociais nos últimos dias. “Neymar não é jogador, é celebridade”, disparou Neto, sobre o fato de Neymar mesmo contundido do pé direito ter participado no Carnaval do Rio e de Salvador. Neto foi mais longe ainda: chamou o atacante do PSG e da seleção brasileira de “mimadinho” e que o Brasil vai perder mais uma Copa por causa do comportamento extracampo de Neymar.

Neto é polêmico e pode ter exagerado um pouco, mas fato é que Neymar se envolve tanto em problemas fora do futebol que, em campo, vai perdendo a aura de craque que ostenta Messi, por exemplo. A Copa América será o grande teste para Neymar. Se voltar a jogar sem estrelismo e simulações, poderá se recuperar do fracasso da Copa da Rússia de 2018.

Claudemir Scalone

Sou jornalista formado pela UEL (1987/1990) e apaixonado por Londrina e pelo Londrina Esporte Clube. Já trabalhei no Correio Londrinense (1992/1994) e na Folha Londrina, onde fui revisor, repórter, redator e editor (1990/1992 e 1994/2018). Meus lugares preferidos são o Zerão e o Lago Igapó onde faço caminhadas e fotos desse cartão postal de Londrina. E, claro, o Estádio do Café é outro lugar favorito, pois lá é a casa do Tubarão. Como todo torcedor do LEC, sonho em ver o time voltar à Série A do Brasileirão, porém, antes disso espero que o clube se reestruture a ponto de não precisar terceirizar seu departamento de futebol.

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