Mesma criação, diferentes resultados

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Algumas pessoas afirmam que não se pode chegar a um resultado diferente se você age sempre da mesma forma. Quem afirma isso provavelmente não teve filhos. Faça exatamente a mesma coisa para duas crianças e cada uma delas vai reagir de uma forma diferente. Não é engraçado como irmãos geralmente são o oposto um do outro?

Tenho dois modelos de criança em casa que certamente não foram feitos no mesmo molde. E nenhum veio com manual de instrução. Até hoje tento descobrir a melhor forma de lidar com cada um, e é um trabalho que não acaba. É realmente como em um videogame: você passou um chefão e agora vem outro mais difícil. Respira.

É difícil não comparar. Cada um tem suas manias, dificuldades e acertos. A gente esquece que são seres humanos em evolução, e como pais, nos cabe ajudar e guiar da melhor forma possível. 

Mas voltando aos meus dois meninos, por mais que eu sempre reforce a questão de cumprimentar as pessoas, ser simpático, educado, nesse ponto o que conta é a personalidade da criança. Tem coisa que conseguimos ensinar, outras são itens de fábrica. 

Por exemplo: Rafa, o mais velho, fala muito. Muito mesmo. Diz minha irmã mais velha que ele puxou para mim. Fui uma criança que ia na vizinha conversar. Eu tinha três anos. Ela já era adulta. 

Sem negar meu gene tagarela, de forma indiscriminada, fala com qualquer pessoa que olhe para ele por mais de dois segundos. “Meu nome é Rafael. Sabia que eu tenho um cachorro?”. A pessoa não sabia e nem tinha perguntado nada, inclusive. Mas acaba parando para conversar com aquele menininho alegre de olhos verdes e bochechas rosadas. 

Biel, por outro lado, vai te ignorar como se você fosse invisível. Você pode puxar o maior papo que receberá um olhar de indiferença com os olhos castanhos escuros e enormes. É difícil impressionar e cativar o pequeno. Ele reserva os melhores sorrisos para quem é de casa. A não ser que você esteja acompanhado de um cachorro. Se você tiver um cachorro ele vai parar para perguntar se pode brincar com o bichinho. Biel só fala quando acha necessário. E, quando envolve bichos, ele sempre acha necessário.

Paula Barbosa Ocanha 
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

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