Voltei a trabalhar quando Rafa tinha sete meses. Na época, era repórter de um jornal diário, peguei seis meses de licença maternidade e um mês de férias – tenho consciência que foi um privilégio já que muitas mães brasileiras são obrigadas a deixar seus bebês com quatro, cinco meses.
Foi uma mistura de emoções. Cortava meu coração ter que deixar o meu bebê tão pequeno, mas também sempre gostei de trabalhar. Curtia me arrumar, ir para meu local de trabalho, ver outros adultos, sentar para tomar um café, não ter interrupções, conseguir terminar uma frase e concluir um raciocínio, ser útil para a sociedade.
A real é que mãe que fica com criança em casa geralmente trabalha muito mais do que as que trabalham fora. Estou sendo simplista e generalizando, obviamente nem todas têm a mesma realidade, mas estou falando baseada nas minhas experiências. Eu tinha ajuda do meu marido, da minha família e de uma diarista. Algumas mulheres trabalham fora e, depois, trabalham em casa. É difícil ser mulher e mãe, vamos ser sinceros.
Mas tentando ser otimista, o que decidi fazer: aproveitar em dobro os momentos que eu estava realmente com meu bebê em casa. Estudos na área da psicologia afirmam que se você der uma hora por dia de atenção para seu filho é o suficiente para que ele crie laços afetivos e emocionais fortes com você. Apesar de ficar com babá, avós, tios ou escola, se os pais dedicarem uma hora por dia é o suficiente. Acho que não tem uma mãe que deixe seu bebê com outra pessoa que não tenha pensado: será que meu filho não vai gostar mais dessa pessoa do que de mim? É angustiante para algumas mulheres.
Como criei laços afetivos com meus meninos:
Cantar – Escolha uma música e cante olhando para seu bebê. Faça contato visual. Evite dar banho, dar comida ou amamentar fazendo outras coisas. Olhe para ele, converse, cante a mesma música diversas vezes. Quando chegava do trabalho eu fazia esse momento especial, e posso afirmar que funciona muito.
Se ele for maior: leia um livro, brinque com alguma coisa que ele gosta. Coloque na cama para dormir ou mesmo assista um desenho que ele gosta (sem ficar no celular)! Sente, pergunte, dê risada junto, pergunte sobre o dia. Explique para ele que vai ser um momento especial e pergunte o que ele quer fazer.
Mas, Paula, chegando em casa tenho que fazer janta, lavar a roupa, limpar, tomar banho… Não tenho tempo!
Uma hora! Uma horinha! Vai fazer diferença para ele, inclusive diminuindo as birras. Então esse tempo que você “gasta” traz um benefício enorme. Tenha um momento especial com sua criança e repare como o comportamento dela vai melhorar! Boa sorte!
Foto: Acervo pessoal

Paula Barbosa Ocanha
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

