Duegusti: sabor e qualidade com um toque de nostalgia

restaurante

Aberto ao público, restaurante da AREL funciona de domingo a domingo e atende todo mundo com muitas gostosuras

Telma Elorza

O LONDRINE̅NSE com assessoria

Eu já conhecia o restaurante da AREL, o Clube Alemão, desde a época que trabalhava na prefeitura. Volta e meia, a gente ia almoçar lá no Duegusti Gastronomia, por causa do sabor de comida caseira deliciosa. Mas fazia, pelo menos, uns 8 anos que não passava pela região e tinha me esquecido dele. Até que vi, recentemente, o Instagram do restaurante e bateu aquela vontadinha, sabe? Combinamos eu e Suzi Bońfím de darmos um pulo lá, no último sábado. Fomos e, olha, foi maravilhoso. Não só por matar a saudade e comer bem, mas também porque descobri a história das pessoas que fazem aquelas comidas saborosas e me emocionei.

Quem tem mais de 40 anos e viveu Londrina nas décadas de 1980 e 90 e início dos anos 2000, deve lembrar do Baiano – Rei da Batida. Quem não lembra, perdeu um dos melhores capítulos da história da noite londrinense. O Baiano era ponto de encontro para quem gostava de beber drinks maravilhosos, feito com capricho. Eu adorava a batida de morango.

O bar e sua equipe, quando ainda era na Rua Quintino com Avenida Rio Branco – Foto: Londrina em Fotos

Mas a melhor parte do bar do Baiano, na minha opinião de comilona, eram as comidinhas, porções incríveis feitas no capricho por dona Cecília, a esposa do seu Antônio Kanashiro, o Baiano. Um dia, depois de elogiar muito a porção favorita, ela veio até minha mesa e me ensinou a fazê-la: uma alcatra em tiras, com cebolas, tomates e muita cebolinha, regada com shoyu (nenhum outro tempero), para comer com pão em rodelas. Hoje, essa carne está ainda entre os pratos que mais gosto de fazer porque é fácil, rápida e deliciosa, que como ou com pão ou até junto com o arroz e feijão. É fantástica e faz sucesso entre aqueles que já provaram.

O famoso croquete do Baiano

Tá, Telma, mas o que o Baiano, Rei da Batida tem a ver com o Duegusti Gastronomia? Bom, simplesmente que o restaurante é comandado pelo filho do Baiano, o Luís Gustavo Kanashiro, o Guto. E quem está lá, no auge dos seus 89 anos, comandando a cozinha? Dona Cecília, plena e maravilhosa! E, sim, ela continua fazendo sozinha alguns pratos, como o famoso croquete de carne do Baiano, que está no cardápio todos os dias. Foi uma surpresa incrível, porque, se eu já gostava da comida antes, lá nos tempos da prefeitura, o Duegusti virou um dos meus queridinhos de agora, pelo sabor com um toque de nostalgia. O Guto até me disse que, de vez em quando, ele faz alguma das batidas do Baiano e distribui para os clientes, para degustação (não, ele não faz para vender, infelizmente).

Guto e dona Cecília: aos 89 anos, ela ainda garante delícias

O Duegusti surgiu no finalzinho de 2007, no espaço do restaurante da AREL que estava desativado há alguns anos. O Guto já trabalhava com a cantina do clube desde 2006, depois de fechar o último bar do Baiano, que ficava na avenida Higienópolis. Mas recebeu o convite para assumir o restaurante e aceitou. “Foi uma virada de chave, a gente deixou aquilo que conhecia e veio desbravar um mercado inédito para nós”, conta ele. Por 10 anos, eles tocaram, ao mesmo tempo, o restaurante e a cantina, mas em 2017, optaram por ficar só com o restaurante. São quase 18 anos de história de sucesso. E não é à toa.

Duegusti e o sabor caseiro

Da experiência com o Baiano – Rei da Batida, Guto trouxe o know-how de fazer as coisas bem feitas, o tempero fantástico e caseiro (nada industrializado ali) que dona Cecília faz desde que o bar começou e os produtos de excelência usados na preparação dos pratos. “É a comida caseira bem feita, a comida de mãe”, diz. Que, aliás, é meu tipo preferido de comida.

A feijoada “separada”
Torresmo incrível

O lugar é espaçoso e aconchegante ao mesmo tempo, bem familiar. Não poderia ser diferente, porque ali trabalham o Guto, a mãe, a irmã e a sogra. Mas o principal atrativo é mesmo a comida, feita no maior capricho e usando ingredientes de primeiríssima qualidade. Aos sábados e domingos, tem sempre vários pratos especiais, como a feijoada “separada” – no sábado – e o mignon preparado de diversas formas deliciosas, mas durante a semana a comida também é maravilhosa.

Para quem está perguntando o que é a feijoada “separada”, eu explico: são várias opções de feijoada, uma só com costelinha, outra só com carne seca, outra só com linguíças e uma outra com pé, rabo e orelha de porco. Ideal para quem tem alguma restrição alimentar (como não comer carne de porco, por exemplo) ou simplesmente tem seus ingredientes favoritos da feijoada. Eu acho fantástico, porque não sou muito de pé de porco.

Alcatra ao gorgonzola

Mas ali tem muitas opções para todos os tipos de pessoas. São cerca de 20 pratos quentes e uns 10 ou 12 frios. Sempre tem até um prato principal vegano, para quem não come nada derivado de animais, além das saladas, verduras e do tradicional arroz e feijão. No sábado que fomos, tinha um chili maravilhoso, feito com proteína de soja, que fiz questão de experimentar e adorei. Melhor que muito chili tradicional que já provei por aí (e devo confessar, com dor no coração, melhor que o meu chili, kkkk). Ah, também tinha um pastel de palmito vegano incrível.

Chili vegano incrível
Pizza no almoço? Claro que sim!
Pacu assado com um tempero suave e delicioso

A variedade de pratos me impediu de provar todos, mas não cabia, gente! Deveria ter ido duas vezes, antes de escrever essa coluna. Mas peguei os que mais me chamaram a atenção, além de um bom prato de salada fresquinha que não pode faltar. “Ah, Telma, salada eu como em casa”. Deixa eu dar uma dica: em todos os restaurantes que vou, gosto de provar as saladas porque ali, no bufê delas, é possível comprovar a qualidade dos ingredientes usados. As folhas devem estar fresquíssimas, os legumes cozidos com boa cor e, claro a apresentação deve estar bonita. Desleixo com as saladas indica desleixo nos preparos do pratos, uma coisa que você não percebe porque é disfarçado pelo cozimento. E no Duegusti o bufê de saladas é MARAVILHOSO.

Depois da salada, fiz uma bagunça no meu prato: provei o chili, a pizza (sim, tem pizza em alguns dias), uma alcatra maravilhosa ao molho de gongorzola, o pacu assado, a tilapia frita, a batata frita (sequinha e crocante como nunca vi, sem ser industrializada). No terceiro round, me concentrei na feijoada separada. E claro que peguei o que mais gosto: costelinha defumada e linguiça. Que delícia! Mas, infelizmente, esqueci de pegar o croquete de carne. Que pena. Ficará para uma próxima, porque vou voltar, com certeza.

Meu prato bagunçado kkkk
A batatinha caseira mais sequinha e crocante que já provei

Para encerrar, porque já não cabia mais nada, ainda fomos de sobremesa. Havia dois tipos: um pavê de chocolate (que acho que foi feito com chocolate meio amargo porque não estava enjoativo) e um manjar de coco dos deuses. Dividimos, eu e Suzi, as duas sobremesas. E vou confessar que, mesmo cheia, se minha diabetes não gritasse desesperada, tinha repetido os dois. Um cafezinho e encerramos. Ah, esqueci de dizer que tomamos suco de laranja natural (R$7) para acompanhar todas as delícias.

O Duegusti Gastronomia é um restaurante a quilo maravilhoso, com comida caseira de verdades. Está localizado na AREL e atende também não sócios.
Pavê de chocolate ou manjar de coco? Se puder, fique com os dois! O preço é por quilo, mesmo valor do bufê

O Duegusti Gastronomia fica na AREL – Clube Alemão, com entrada para não sócios pela Rua Conde de Nova Friburgo, 80. Atende todos os dias, das 11h30 às 14 horas. O bufê custa R$82,90 por quilo durante a semana e R$99,90, aos finais de semana. O restaurante também está no iFood e atende delivery também pelo whatsapp (43) 98830 3494. Os preços podem ser alterados sem aviso prévio.

Fotos: Suzi Bońfím e Telma Elorza

Leia mais colunas de Gastronomia

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse