Espaço público é usado indevidamente como depósito de lixo por empresas e pessoas da região. Vizinhos reclamam de descaso do poder público
Felipe Brandão
Especial para O LONDRINENSE
Já imaginou ser obrigado a conviver com um acúmulo absurdo de todo tipo de lixo, mau cheiro e foco de doenças na porta da sua própria casa? Pois é essa a realidade que muitos moradores da Vila Casoni têm encarado há mais de uma década, desde quando um espaço entre dois terrenos particulares na rua João Aquino de Almeida, perpendicular à avenida Jorge Casoni, passou a ser usado como depósito para o descarte de todo sorte de objetos, principalmente restos de carros. Durante todo esse tempo, os moradores reclamaram várias vezes com a administração municipal para resolver o caso. Sem sucesso.
A cabeleireira Helaine Cristina de Oliveira tem encabeçado um movimento entre os moradores do bairro no sentido de exigir do poder público uma solução ao que já está a ponto de se tornar um problema de saúde pública. “Agora, com esse período de chuvas, com certeza vão se criar muitos focos de Aedes aegypti. Em Londrina já existe a previsão de uma epidemia de dengue. E nós como ficamos?”, queixa-se ela, moradora da região há cinco anos. Segundo ela, a CMTU foi no local recentemente com uma retroescavadeira, empurraram o lixo até o final da rua, “formaram uma montanha” e colocaram fogo que queimou por dias. “Isso não é resolver o problema”, aponta.
O empresário Emerson Carreira tem uma fábrica de cosméticos nas proximidades e cada vez que alguém coloca fogo ali, ele tem que jogar toda a produção fora. “A fumaça contamina tudo. Já conversamos várias vezes com a CMTU e nada é feito em definitivo”, reclama. Ele já tentou contato com o proprietário dos terrenos mas não obteve sucesso. O também empresário Armando Albertoni diz que a maioria da material vem dos desmanches da Avenida 10 de Dezembro. “Eles tiram as peças que querem e depois pagam carrinheiros para descartar as que não querem. Ele vem jogam tudo aqui, é um monte de peça carro”, afirma.
Na quarta-feira (20), o assessor Sílvio Rogério dos Santos, do presidente da Câmara Municipal de Londrina, Ailton Nantes, participou de uma reunião com os moradores da Vila Casoni para discutir o problema. “Nós fomos até a prefeitura e solicitamos que o local fosse asfaltado. Não existe ainda previsão do cumprimento dessa medida. Com respeito à limpeza do terreno, a CMTU deve abrir em março a licitação para contratar uma empresa terceirizada que se responsabilize pelo serviço”, relata.
A assessoria de imprensa da CMTU explicou que a companhia busca uma solução definitiva para o problema. De acordo com a assessoria, no segundo semestre de 2018 foram retirados do local 20 caminhões-caçamba de lixo e entulho e que não foi a companhia quem colocou fogo no local já que tal prática não está dentro das conformidades do serviço público. A assessoria afirmou que uma possível solução seria o fechamento do espaço, que é uma rua porém sem uso. E que a companhia está negociando com a Prefeitura essa solução. Até lá, porém, os moradores terão de esperar. Mais uma vez.
(Colaborou Telma Elorza)

