Bullying

sara

Antes de ser mãe nunca tinha entendido na totalidade o quanto deve doer nos pais quando o filho sofre algum tipo de bullying. Hoje, pensar que meus meninos podem virar alvo de piada em algum momento da vida deles simplesmente por terem alguma diferença que não podem mudar é angustiante. Ou mesmo se for algo que eles podem mas não querem, não importa.

Seja característica física ou comportamental, todas as pessoas precisam ter o direito de ser o que quiserem. Meus filhos nunca sofreram nada do tipo, mas, um dia, Rafa se aproximou de uns meninos maiores para brincar e eles o ignoraram… ele ficou tristinho e aquilo já doeu. Imagina ter uma criança que realmente vira alvo de comentários maldosos e exclusão. É difícil demais.

“Ah, geração mimimi”. Veja bem, tem coisa que machuca de verdade, não tem nada a ver com mimimi. “Mas na minha época todo mundo tinha apelidos e ninguém ligava.” Realmente se você estava inserido em um grupo de amigos que o chamavam de gordo, girafa, cabeção ou dumbo e você não ligava, deixa eu explicar: isso não é bullying.

Bullying é tortura psicológica. Exclusão total. É pegar uma pessoa e deixá-la sozinha dia após dia enquanto fala sobre a aparência ou jeito dela, insistentemente ao ponto da pessoa começar a se sentir menor ou diminuída. Ser alvo de piadas maldosas durante um tempo grande, repetidamente, pode abalar o psicológico de adultos. Imagina quando você começa a sofrer com isso na escola…

Os efeitos do bullying podem ser diferentes em cada pessoa – tem gente que realmente não liga e não se abala. Isso não é justificativa para ignorar o fato. Se você sabe lidar tem que entender que algumas pessoas não sabem. O combate começa quando ventende que nem todos pensam como você. 

Aqui em casa tomo muito cuidado com o tipo de comentário que eu faço perto dos meninos. Sempre falo para eles que se eles percebem que alguma criança, por algum motivo não está brincando junto ou está deliberadamente sendo excluída, eles devem ir e conversar com a criança e chamá-la para fazer parte do grupo. A não ser que uma pessoa tenha um apelido que realmente goste e se identifique, não dê nomes a ninguém, e não importa a aparência da pessoa: somos todos iguais.

Como combater o bullying? Fazendo seu filho entender que ele precisa ser diferente daquelas crianças que estão excluindo e ofendendo as outras. Bullying se combate dentro de casa.

E, junto com isso, se seu filho for o tipo de criança que sofre bullying não diminua a dor dele. Mude de escola, ajude-o a superar, busque os responsáveis pela instituição e lute para que haja mudanças. Faça o que tiver ao seu alcance para que sua criança supere. Se você não sabe como fazer isso, procure alguém que saiba. Simplesmente diminuir e falar “não ligue” não resolve. Seja você o primeiro aliado de sua criança!

Foto: Sara Cheida

Paula Barbosa Ocanha 


Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepataCompartilhar:

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