Depois de alguns artigos sobre alimentação, algumas pessoas me procuraram para falar sobre o assunto e a dificuldade que é treinar o paladar da criança, principalmente quando a dieta salgada é iniciada.
Existe fatores genéticos que podem fazer a criança rejeitar alguns sabores, também existem pesquisas que demonstram que a alimentação da mãe durante a gestação muda o sabor do líquido amniótico – após a 17a. semana o feto já é capaz de sentir o gosto do líquido, o que pode também influenciar a preferência de sabores mais tarde.
Então existe uma série de fatores que podem ajudar ou atrapalhar. Mas, tão importante quanto eles, está sua persistência. Vou lhe contar uma coisa. Fui uma mãe ansiosa ao extremo, tanto que comecei a dieta de frutas do Rafa quase três semanas antes do recomendado pela OMS porque ele ficava pedindo e chorando perto da mesa e eu fiquei com dó. (Não faça isso!) Enchi o saco da pediatra e ela liberou apenas frutas e somente pela manhã.
A primeira refeição “sólida” foi banana amassada que ele devorou com uma gula tão grande que fiquei assustada. Duas semanas depois de começar a comer frutas, testamos a primeira papinha salgada. Ele também comeu sem problema nenhum.
Fácil. Foi muito fácil.
A não ser por um problema: ele rejeitava tudo o que era cítrico. Não tomava suco nem de laranja lima e nenhuma outra fruta que fosse cítrica ou mesmo levemente azeda. Parecia que eu estava dando limão para ele.
Na época do início da dieta salgada, a pediatra tinha recomendado suco de laranja lima todos os dias após o almoço – a vitamina C ajuda na absorção do ferro dos alimentos (Cálcio atrapalha. Nunca dê mamadeira após o almoço porque a absorção de ferro vai ficar comprometida). Quando ele tomou o suco pela primeira vez chorou chateado. Parecia ter ficado ofendido com o sabor ruim do líquido que eu tinha colocado na boca dele. A pediatra disse: “Insista. Você precisa oferecer alguma coisa pelo menos 15 vezes para ter certeza que ele não gosta.” Fui além… ofereci 28 vezes. Duas vezes ao dia, por quase duas semanas. No dia que pensei: ‘chega… é a última vez que ofereço suco para esse menino”, ele tomou!
Quando já estava maiorzinho, não dei iogurtes doces (ele tomava apenas integral – hábito que cultiva até hoje), dava banana seca na mão dele. Quando tinha nove meses comecei a oferecer fruta com aveia e uva passa. Não se trata apenas de oferecer uma dieta saudável, mas de realmente acostumar a criança a comer bem. Hoje, ele come chocolate, bolachas doces e fritura eventualmente (a única restrição que ele ainda tem por imposição é refrigerante! Não deixamos tomar!). Mas ele come muitos legumes, muitas frutas e muitas coisas saudáveis. Fiz a mesma coisa com o mais novo e chegamos ao mesmo resultado – e veja que interessante: apesar do Biel sempre ter aceitado suco cítrico desde o primeiro, ele cuspiu toda a papinha salgada durante a primeira semana inteira que eu ofereci. Hoje, ele gosta muito mais de comida salgada do que doce, inclusive é super seletivo com guloseimas, até porque é alérgico a corante vermelho. Então, crianças mesmo da mesma família são diferentes, mas com persistência chegamos ao mesmo lugar.

Paula Barbosa Ocanha
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata.

