Anos 80 e 90, eu era feliz!

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Por Rogério Rigoni

Fala, meninas e meninos do ROCK!

Eu posso dizer que fui uma criança e um adolescente privilegiado. 

Nasci em 1972, estudei no colégio Mãe de Deus, usava um uniforme ridículo que parecia uma toalha de restaurante e a lembrança mais linda que eu tenho do colégio foi quando entreguei meu coração (simbólico) para Nossa Senhora Aparecida na capela. 

Quando meus pais se mudaram para o Ed. Centro Comercial foi onde as coisas começaram a mudar pra mim. Virei um “rato” do centro, brincava na Concha como se não houvesse amanhã. Em dezembro, era ainda mais legal. Meus pais tinham uma loja (Bijorhca) e, como você sabe, nesse mês as lojas fecham às 22h,  então tinha mais tempo pra brincar.

Era final dos anos 1970 e eu fui estudar no Colégio Evaristo da Veiga. Fiquei nele do primeiro ano até a quarta série, não via a hora de chegar as férias para poder ir pra casa da tia Helena, na vila Casoni, onde tinha vários amigos. Diferente da Concha, ali a diversão era muito mais interessante, as brincadeiras muito mais divertidas e tinha muita música. Meus primos, principalmente o Carlinhos, eram apaixonados por rock e, entre as brincadeiras na rua, comecei a me interessar pelo estilo. Ouvia junto deles várias bandas e artistas, era uma época muito rica musicalmente. Tive até o prazer de acompanhar o surgimento da “Disco”. Além dos discos, que eram uma constante na casa, a rádio estava sempre ligada na Folha FM. Nessa época até a rádio era legal, pois existia música de verdade, muito diferente de hoje em dia, hoje é só merda!

Mas era anos 1980, a gente escutava Os Mutantes, Arnaldo Baptista, Rita Lee… e as bandas e artistas brasileiros que surgiram nesse período.

A Folha FM, nesse ano, trouxe para Londrina vários shows inesquecíveis que rolavam no saudoso Moringão. Eu era menor de idade, mas com o consentimento dos meus pais e sob a responsabilidade dos meus primos, fui em vários shows fodas! Inclusive no Parque de Exposições Ney Braga, se eu não me engano, os shows não eram pagos.

Outra diversão foda eram os fins de semana na sede social do Grêmio, que ficava na Alameda Manoel Riba. Me divertia um monte sempre com um copo de menta na mão e mente. Às vezes rolava uma matinê. Meu primeiro contato com a cena independente autoral londrinense foi em uma dessas matinês, quando assisti os shows da Lepra e Filhos da Pauta, que depois mudou o nome para Pauta de Metal.

Foi em uma dessas noites no Grêmio que reparei que algum movimento musical diferente estava acontecendo. Comecei a reparar que tinha uma galera com roupas rasgadas, coturno, braceletes e uma atitude diferente da normal. Era o movimento Punk começando em Londrina.

Infelizmente, eu acompanhei esse acontecimento a distância, quase nulo, mesmo indo no Grêmio às vezes. Meus pais nem sempre me deixavam sair a noite,  tinha 15 anos e as poucas permissões que  tinha era ir em festas dançantes na casa dos amigos.

Se não me engano, com 17 anos e mais liberdade, rolou na cidade um festival punk idealizando pelo grande “Cientista”, chamado “Protesto Sonoro”, na Leste Oeste com a Duque. Ali, estavam bandas punks locais e de fora da cidade. Na época, tinha um amigo que ganhou uma bateria do tio e pedi um contrabaixo ao meu pai pra gente montar uma banda. Então, o convidei pra ir no show.

Foi nosso primeiro contato com o movimento punk de Londrina e com o punk rock. Lembro que a gente ficou de cara com o que estava acontecendo diante dos nossos olhos, aquela fúria, música rápida e pesada onde a gente conseguia só entender o “um, dois, três, quatro” no começo da música. Aquilo mexeu com minha cabeça, mais que a dele. Quando acabou o show, fomos pra casa dele e, cheios de adrenalina, pluguei meu baixo (nunca aprendi a tocar), ele sentou na batera e começamos a fazer uma barulheira enquanto ficava gritando no microfone.

Foi nesse evento que comecei a entender um pouquinho o que era o movimento punk, o famoso “faça você mesmo”. Isso me levou a adquirir o primeiro disco de punk rock, que foi o Rocket to Rússia, dos Ramones e depois tive o prazer de assistir o show deles em Curitiba.

Nos anos 1980 e 90, Londrina fervia de bandas underground, em bares e festas. Foi quando eu conheci o movimento punk e o punk rock
Reprodução da internet

Já era o final dos anos 1980 e Londrina fervia de bandas underground, muitos bares, cervejadas na UEL e o inesquecível RU abriam suas portas pra “cena”. Curti demais, mas, infelizmente, vi tudo isso acabar. Sim! Eu era feliz e não sabia.

Tenha um ótimo final de semana!

SEM ANISTIA PRA GOLPISTA!

FORA TODOS OS POLÍTICOS DE MERDA!

BORA PRO ROCK!

Foto principal: Magnific

Rogério Rigoni

“FALA, MENINAS E MENINOS DO ROCK”! Assim começa o programa o DNA Rock Brasil, pela radio UEL FM! Sou um dos apresentadores e falo do que amo desde que me conheço por gente: música! E se for autoral, melhor ainda! E já que não tive uma banda, me realizo falando e escrevendo sobre rock and roll! Punk de alma e de coração, vivendo em paz ! E…BORA PRO ROCK!

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