Cuidado com o golpe da falsa central telefônica de instituições bancárias

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Por Flávio Caetano de Paula Maimone

Muitos consumidores têm sido vítimas de um golpe cada vez mais comum e perigoso: o da falsa central telefônica. Criminosos, agindo de forma organizada, se passam por funcionários do banco para roubar seu dinheiro. É fundamental entender como o golpe funciona para evitá-lo e saber quais medidas tomar caso você seja vítima.

Como o golpe acontece

Geralmente, tudo começa com uma ligação ou mensagem de texto informando sobre uma suposta transação suspeita na sua conta. Em seguida, os golpistas entram em contato por telefone, apresentando-se como membros da “central de segurança” do seu banco.

Eles muitas vezes já têm informações sobre você (como nome completo, CPF e até dados de transações recentes) que podem ter sido obtidas por meio de vazamentos de dados ou engenharia social, o que torna a abordagem mais convincente.

Durante a ligação, o criminoso tenta convencer você de que a transação é real e que precisa ser cancelada imediatamente. Para isso, solicita que você digite sua senha no telefone ou baixe um aplicativo para “proteger” sua conta. Nesse momento, o golpe se concretiza: ao digitar a senha ou instalar o aplicativo falso, você entrega seus dados de acesso aos criminosos, que passam a ter controle sobre sua conta para realizar transferências e pagamentos.

Como evitar o golpe

  • Desconfie sempre: Bancos nunca solicitam sua senha ou códigos de autenticação por telefone, mensagem ou e-mail.
  • Use apenas canais oficiais: Recebeu uma chamada suspeita? Desligue e, se necessário, ligue você mesmo para os números oficiais do banco, como o 0800 no verso do cartão ou o contato disponível no aplicativo.
  • Não clique em links suspeitos: Links enviados por mensagem, pedindo para “regularizar” sua conta ou baixar aplicativos, podem conter malware ou levar a páginas de phishing.
  • Baixe aplicativos apenas nas lojas oficiais: Google Play (Android) ou App Store (iOS). Nunca instale aplicativos por solicitação recebida em ligações ou mensagens.
  • Questione o banco: Caso perceba que criminosos têm seus dados, cobre da instituição informações sobre como ela protege suas informações e se houve algum vazamento.

Fui vítima do golpe, e agora?

Aja rápido

  1. Avise o banco imediatamente: Use um canal oficial para informar o ocorrido, solicitar o bloqueio da conta e contestar as transações fraudulentas.
  2. Registre boletim de ocorrência: Pode ser presencialmente ou online. Ele é essencial para a investigação e servirá como prova.
  3. Guarde todas as evidências: Salve mensagens, anote números de telefone, registre horários de ligações e faça prints das telas.
  4. Use o Mecanismo Especial de Devolução (MED): Se fez um PIX para os golpistas, peça que o banco acione o MED para tentar recuperar o valor.

O banco tem responsabilidade?

Sim. O Código de Defesa do Consumidor obriga as instituições financeiras a garantirem a segurança das operações e a privacidade dos dados dos consumidores. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que, em casos como o da falsa central, o banco pode ser responsabilizado por falha na segurança.

Se a instituição não adotar medidas eficazes contra fraudes ou se o sistema de proteção de dados for comprometido, ela pode ser obrigada a ressarcir o prejuízo. Caso o banco se recuse a resolver o problema, procure seus direitos na Justiça, com a segura orientação e suporte de um advogado.

Lembre-se: Em caso de dúvida, desligue a ligação e procure pessoalmente seu gerente ou contate a central oficial. Nunca forneça senhas, códigos de autenticação ou informações pessoais a terceiros.

Flávio Henrique Caetano de Paula Maimone

No golpe, os criminosos, agindo de forma organizada, se passam por funcionários do banco para roubar seu dinheiro. Saiba como evitar

Advogado especialista em Direito do Consumidor, sócio do Escritório de advocacia e consultoria Caetano de Paula & Spigai | Sócio fundador da @varbusinessbeyond consultoria e mentoria em LGPD. Doutorando e Mestre em Direito Negocial com ênfase em Responsabilidade Civil na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Diretor do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (BRASILCON). Associado Titular do IBERC (Instituto Brasileiro de Estudos de Responsabilidade Civil). Professor convidado de Pós Graduação em Direito Empresarial da UEL. Autor do livro “Responsabilidade civil na LGPD: efetividade na proteção de dados pessoais”. Colunista do Jornal O Londrine̅nse. Instagram: @flaviohcpaula

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

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