Por Fábio Luporini
Liberdade. Uma pequena palavra que gera grandes conflitos. Uma pequena expressão da qual muitos se autodenominam detentores do monopólio de sua interpretação e aplicação. Um pequeno conceito que provoca grandes debates. Existe, de fato, liberdade? Quais os limites dela? Quais as consequências? Para o bem ou para o mal, cada sociedade escolhe para si uma maneira diferente de entender e compreender o tema, estabelecendo diversas formas de vive-la.
Existem sociedades e pessoas que são livres para dizerem o que quiserem, mas, não são livres para comerem o que quiserem. O Brasil é um desses países em que certas pessoas e certos políticos se escondem sob o argumento da liberdade de expressão para proferir absurdos e mais absurdos. Mas, ao mesmo tempo, milhares de pessoas passam fome e, assim, não são livres, não têm a liberdade de se alimentar porque não têm acesso ao alimento, quanto menos comerem o que quiserem. Que liberdade é essa?
Que liberdade é essa que condena e “cancela” uma jovem violentada e que escolheu destinar à doação uma criança fruto de uma gravidez consequência de um estupro? Que liberdade é essa que dá pitacos e opiniões na decisão de aborto de uma menina de 11 anos grávida de uma relação com um garoto de 13? Que liberdade é essa que tanto defendem uns em nome de Deus e se esquecem de defende-la em nome do próximo como a ti mesmo? Hoje o dia é de reflexões sobre os limites da nossa liberdade.
O filósofo contratualista Jean-Jacques Rousseau dizia que o homem é livre no estado de natureza (aliás, mesmo conceito dos outros dois contratualistas, Thomas Hobbes e John Locke). Para ele, o homem viva bem, em paz e em harmonia, mas, decidiu trocar a liberdade natural pela civil ao estabelecer certos limites. Então, a partir desse pressuposto, o homem em sociedade é livre, desde que não interfira na liberdade do outro.
E não é exatamente o que estamos fazendo hoje em dia, em pleno século XXI, no Brasil? Será que não estamos interferindo demais na liberdade do outro? Será que não estamos extrapolando os limites da nossa liberdade? Ora, cada um pode ter sua crença, religiosidade ou ideologia. Mas, querer impor os próprios conceitos goela abaixo das pessoas é ultrapassar em muito a liberdade alheia. Daqui a pouco isso pode se transformar em censura, absolutismo e outros conceitos menos livres…

Fábio Luporini
Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
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