Os novos areópagos do mundo moderno empobreceram o debate público

pexels-brian-ramirez-8488289

Por Fábio Luporini

Com o advento das redes sociais, rapidamente uma notícia viraliza ou se espalha. A velocidade com que isso acontece é impressionante. Mas, talvez, o que mais impressiona seja o conteúdo. Muitas vezes são fake news, ou notícias ruins ou amenidades. Quase nunca é, de fato, coisa importante ou relevante. De qualquer maneira, as mídias digitais são hoje os novos areópagos da comunicação, ou seja, são os novos espaços onde as coisas acontecem e são discutidas. Mas, será que, verdadeiramente, o mundo acontece ali?

Antigamente, na Grécia Antiga, os espaços públicos de discussão se davam na praça central (ágora) ou no tribunal (areópago). Eram lá que as pessoas discutiam as questões ligadas à cidade (polis). Com o tempo, esses espaços cresceram, foram mudados e ampliados. A imprensa se tornou, numa determinada época, quase que exclusivamente o local onde as discussões aconteciam, onde repercutiam as coisas. Mas, as redes sociais surgiram e passaram a dividir essa responsabilidade. Mas, muitas vezes, de uma forma irresponsável.

Outro dia houve um boicote virtual ao restaurante da chef argentina naturalizada brasileira Paola Carosella simplesmente porque ela fez críticas ao governo Bolsonaro. Na prática, filas intermináveis de clientes querendo uma vaga no restaurante e agenda lotada por vários dias seguintes. Embora a rede social tenha amplificado o debate e a viralização das informações, também inflou certas coisas, que passam a não corresponder com a realidade. Quantas e quantas vezes grupos de protestos confirmaram milhares e milhares de participantes nas redes, mas, nas ruas, poucas pessoas compareceram?

Há incongruências entre a ferocidade virtual e a vida real, muito por causa da possibilidade de se esconder atrás de um nickname anônimo. Além disso, o conforto de digitar deitado na cama ou no sofá e publicar nas redes é muito mais convidativo do que reunir bons argumentos e ir para o verdadeiro debate, nas ruas, nos eventos, nas mesas redondas, etc. Se, por um lado, as redes sociais trouxeram consigo muitas facilidades, por outro, também ajudaram a empobrecer a grandeza do debate público.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pexels

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse