Ócio criativo, teletrabalho e “tempo é dinheiro”: o futuro que já chegou

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“Tempo é dinheiro.” Você já ouviu essa expressão? Pois bem, cunhada pelo físico Benjamin Franklin (1706-1790), ela representa um tipo de pensamento em que você precisa aproveitar o máximo seu tempo a fim de não desperdiça-lo e, ao contrário, extrair dele o maior lucro que puder. No esteio dessa e de outras ideias, vivemos na contemporaneidade um período em que se cobra e se busca uma produtividade tal que acaba se tornando tóxica. Afinal, tem-se a impressão de que, caso não se produza, tem-se o tempo desperdiçado. Entretanto, não é nem um pouco errado e, muito menos, ruim ter um tempo de descanso ou de não se fazer nada!

Eu, particularmente, concordo e defendo a ideia do professor e sociólogo italiano Domenico de Masi acerca do ócio criativo. Basicamente, a teoria, criada em meados da década de 1990, pressupõe que a alegria e a satisfação pessoal do dia a dia ajudam a aumentar a criatividade e, assim, a produtividade no trabalho. A despeito do ócio alienante, teorizado pelo pensador, existe, segundo ele, o ócio criativo, extremamente necessário às ideias e ao desenvolvimento da própria sociedade.

Para mim, um grande exemplo desse tipo de produtividade se materializa no Google. Lá, existem regras diferenciadas, benefícios interessantes e, assim, muito vínculo e produção entre os seus funcionários. Geladeira aberta para que se possa fazer um lanchinho ou almoço grátis, créditos de massagens para quem cumpre bem as tarefas, mesa de sinuca, espaço para games, aulas de ginástica ou outras atividades físicas, entre outros. Esses, por exemplo, apenas dentro do ambiente laboral.

Depois que a pandemia do coronavírus potencializou o home office, ou o teletrabalho, talvez a produtividade por aqui tenha sido muito maior. Só o fato de não gastar tempo nem energia no trânsito já faz com que a rentabilidade seja maior. Ou a possibilidade de dar uma esticadinha no corpo, ou como sempre digo, ficar um pouquinho na horizontal (dar uma deitada), muda tudo! Passar uma aguinha no corpo também, que são coisas que, hoje, só se faz em casa. O fato é que me acostumei com essa modalidade de trabalho, que tem suas desvantagens também, claro. Entretanto, essa é a realidade do futuro que já chegou.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Rakicevic Nenad no Pexels

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