O que é uma tragédia?

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Por Fábio Luporini

Assistir, impotentemente, o acidente com as rochas nos cânions em Capitólio, em Minas Gerais, cuja queda vitimou dez pessoas e deixou outras tantas dezenas feridas, é algo bastante triste. Não apenas porque nos vemos sem ter o que fazer diante de uma tragédia, mas, sobretudo, porque tudo isso nos faz refletir sobre a própria vida. Afinal, por que tantas pessoas perderam a vida enquanto estavam passeando com suas famílias, fazendo turismo, admirando as belezas da natureza…?

A tragédia acompanha o ser humano desde sempre. Todavia, é na Grécia Antiga que se reflete e se pensa sobre a tragédia. Lá, a tragédia é uma forma de drama que se caracteriza pela sua seriedade e dignidade, relacionando-se sempre com algum deus grego, com o destino ou com a própria sociedade. Além disso, não foram poucos os autores de teatro que produziram diversas tragédias em forma de narrativas. De acordo com o filósofo Aristóteles (384. a.C.-322 a.C.), a tragédia é um gênero teatral capaz de transmitir nas pessoas as sensações vividas pelos personagens.

É como se a tragédia, de acordo com o pensamento de Aristóteles, fosse resultado de uma catarse da audiência, ou seja, do público que a assiste. E isso poderia explicar por que as pessoas costumam gostar de assistir e apreciar o sofrimento dramatizado. Talvez essa seja a razão dos milhares e milhares de compartilhamentos das imagens da tragédia vivida em Capitólio. Ou da viralização das inúmeras tragédias ocorridas Brasil e mundo afora.

Por isso é que, embora impotentes, as pessoas gostam de assistir as tragédias, que, normalmente, têm um final triste. Então, sob essa ótica, tragédia é algo que acontece de maneira triste e que nem sempre tem uma explicação. Apesar de haver responsabilidades no caso da tragédia em Capitólio, tragédia é aquilo que acontece independentemente do ser humano e que causa estragos e tristezas. Daí a importância da filosofia em nos ajudar a refletir no que podemos fazer para que tudo seja diferente no futuro e para evitar tragédias como essa. Além disso, a filosofia também deve nos ajudar a dar um conforto reflexivo e racional para aquilo que nós não conseguimos explicar.

Dessa forma, solidarizo-me com as famílias das vítimas, com os feridos e com todos aqueles que, de alguma maneira, foram afetados pela tragédia em Minas Gerais.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Reprodução da internet

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