O limiar entre o prazer e a felicidade

CRÉDITO jill111 on Pixabay

“O único caminho para a felicidade é a busca do prazer”, Aristipo de Cirene, filósofo grego

Vivemos tempos hedonistas. Opa, mas o que é isso? Significa que estamos numa época em que as pessoas buscam o prazer. Às vezes, a qualquer custo. Outras, sem qualquer pudor. Realidade completamente perceptível. Exemplos não faltam. O que poucos sabem, entretanto, é que isso representa uma teoria filosófica muito antiga, atualizada centenas de anos depois e vivida na prática hoje. Muito mais do que se imagina, ou se percebe.

O hedonismo, teoria da qual Aristipo de Cirene (435 a.C.-356 a.C.) é considerado o fundador, lá na Grécia Antiga, caracteriza-se pela busca do prazer como um bem supremo da vida. O ápice, o auge. Hedoné, palavra grega, significa justamente prazer e vontade. E não é que coincide com os tempos atuais? Você conhece pessoas que não estão nem aí para nada, a não ser para o prazer? Ou para a satisfação de suas vontades? Pois é…

O universo das celebridades, a onda de youtubers e a falsa impressão do dinheiro fácil, entre tantos outros aspectos que podem ser listados. Esses casos, todos aparentemente prazerosos. Muitos creem que o prazer vem acompanhado da felicidade. Tal qual o utilitarismo defendido por Jeremy Bentham e John Stuart Mill. De acordo com esta doutrina ético-filosófica, as ações são boas quando atingem a felicidade. E más, quando não.

A realidade, todavia, é completamente diferente. Nem sempre o prazer provoca a felicidade. Ao contrário, é possível encontrar por aí muita gente se sentindo vazia e oca. Ou triste e infeliz. Apesar de se rodearem de situações prazerosas. Nossa sociedade sofre do mal da depressão, dos problemas psicológicos e de tantas outras doenças modernas. Talvez porque as pessoas ainda não compreenderam o compasso entre o prazer e a felicidade.

Se entendêssemos mais sobre nós mesmos, sobre as outras pessoas e sobre a realidade que nos cerca, certamente encontraríamos o limiar entre o prazer e a felicidade, o que nos faria aptos a caminhar na linha na qual coincidem as duas qualidades. Enquanto isso, andamos com cada pé num lado. Até quando?

Foto: Pixabay

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela
Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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