A mentira virou política governamental, o que é uma verdadeira tristeza. Incapaz de conduzir o Brasil em favor de seus habitantes, o governo do presidente Jair Bolsonaro – ele mesmo, seus mimados e imaturos filhos e a equipe alçada à condição de ministros – vale-se da mentira para enganar o povo. Diz que fez, mas, não fez. Diz que mandou dinheiro, mas, não mandou. Diz isso e faz aquilo. É assim em todas as áreas: saúde, educação, emprego e renda, etc. Afinal, qual a filosofia da mentira? Pode ou não pode?
Que é algo moralmente errado, isso é fato. Entretanto, o filósofo Arthur Schopenhauer considera a mentira em algumas situações, de modo particular aquelas em que não somos injustos com ninguém. Entre os casos, estão mentir para nos livrarmos de assaltantes, de alguma violência de qualquer natureza, para defendermos a própria vida, a liberdade, os bens ou a honra. Além disso, é possível ainda mentir quando há alguma intromissão indevida, indiscreta ou quando não convém responder o que se perguntou.
Por outro lado, Immanuel Kant refuta a mentira em qualquer caso. A argumentação dele é simples: a partir do imperativo categórico de que devemos agir segundo a máxima de que nossa ação deva se tornar uma lei universal. Portanto, imagine a mentira sendo praticada universalmente? Ela não seria um fim, como pressupõe o pensamento ético kantiano, mas, apenas um meio para se alcançar determinado objetivo, o que descartaria um princípio supremo universal.
Dessa forma, é preciso combater a mentira. Principalmente a prática por governos e representantes do povo, já que, mesmo levando-se em conta as possibilidades imaginadas por Schopenhauer, nenhuma mentira governamental se encaixa nos casos previstos. Ao contrário, é sempre por interesses particulares e privados, para defender a si mesmo ou a grupos que nada têm a ver com o interesse público. Então, a pergunta que se faz é: até quando vamos aceitar que mentiras viralizadas pelas redes sociais sejam oficiais? Está na hora de dar um basta!
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
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