Por Fábio Luporini
Amor por princípio, ordem por base, progresso por fim. Esse é o lema da filosofia positivista empregada pelos pensadores Auguste Comte e John Stuart Mill, séculos atrás. A doutrina pressupõe que uma sociedade organizada alcançaria o desenvolvimento e o progresso. Mas, tudo isso seria feito com base no amor. Esse seria o princípio da vida social, das instituições, da sociabilidade, entre outros aspectos. E foi inspirado nesse lema que o filósofo brasileiro Raimundo Teixeira Mendes estampou a frase “Ordem e Progresso” na bandeira do Brasil, com a fundação da República
Na ocasião, o militar, engenheiro, professor e político positivista Benjamin Constant foi um dos idealizadores do movimento que resultou na Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, um golpe político-militar que destituiu o então imperador Dom Pedro II e alçou à presidência o marechal Deodoro da Fonseca. Ao lado deles, outras figuras históricas como Quintino Bocaiúva, jornalista e político brasileiro, e Rui Barbosa, jurista, advogado, político, diplomata, escritor, jornalista e tradutor.
Entretanto, ao que parece, esse lema e esses ideais democráticos, embora proclamados por militares em um golpe de Estado, estão sendo deturpados no Brasil do século XXI. Assistir à invasão e destruição terrorista de militantes bolsonaristas ao centro do poder político brasileiro – que, inclusive, é patrimônio arquitetônico nacional – é, de fato, perceber que os ideais de ordem e progresso falharam substancialmente. E o que é mais alarmante é saber que isso se dá por pessoas que se dizem alinhadas aos ideais militares, justamente o de ordem e progresso.
O que se vê, todavia, é uma verdadeira “desordem e regresso” de uma parcela do país que se sente autorizada a atacar as instituições democráticas brasileiras. Ou, o que é pior, de gente que é financiada a praticar esses atos específicos. Vejo a utilização das redes sociais e a configuração do algoritmo como catalisador e potencializador de atitudes e ações como essas. Até quando vamos assistir passivamente a esse tipo de terrorismo? A classe política, juntamente com o Judiciário, precisam estar mais antenados com a realidade brasileira, deixando de viver uma realidade paralela de privilégios para poder atender aos anseios da população.

Fábio Luporini
Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

