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BBB: um reflexo do que há de pior na sociedade


Eu estava na praia, passando uma temporada de férias, quando estreou a primeira edição do Big Brother Brasil (BBB), em janeiro de 2002. Era novidade confinar um monte de gente desconhecida dentro de uma casa e ficar vigiando o que eles faziam. Confesso que assisti viciadamente os episódios na televisão aberta e, quando possível, ver no canal fechado o confinamento em tempo real. As notícias sobre “a casa mais vigiada do Brasil”, então, nem se falem! Mas, o que tudo isso tem a nos dizer?

Bom, de lá para cá, deixei de acompanhar a vida de gente que não me interessa. Considero uma perda de tempo gastar tanta energia com algo que não me acrescentará em nada. Principalmente, com um experimento antropológico que transita entre a ficção e a realidade. E que, de fato, expõe ao Brasil todo o que há de pior entre os próprios brasileiros. Mais que isso, que espetaculariza a vida fútil e ignóbil de um grupo de pessoas às quais sou completamente indiferente.

Se, por um lado, dali saem experiências louváveis, como namoros, casamentos e amizades sinceras, por outro, deixa uma profusão de brigas, desentendimentos, falsidades, estratagemas malignos e por aí vai. Para entender e compreender tudo isso, recorremos ao escritor e filósofo italiano Umberto Eco, para quem o BBB poderia ser uma representação da baixa cultura. Também nos valemos das contribuições do pensador francês Guy Debord, que classifica a vida como uma acumulação de espetáculos, representações e inversões da vida concreta tanto quanto um conjunto de relações pessoais mediada por coisas.

E aí reside o grande perigo do BBB. Em primeiro lugar, moldar o comportamento de uma sociedade e de uma geração com as piores futilidades da vida humana. Tenho afilhados que nasceram alguns anos depois da estreia do programa e, dessa forma, correm o risco de naturalizar o que se passar por ali. Depois, espetacularizar os piores exemplos, em vez dos melhores. E normalizar uma série de aberrações como bullying, cancelamentos, assédios e tantas outras coisas. De fato, como experimento antropológico, o que acontece ali precisa ser estudado, porque é apenas a ponta do iceberg do que acontece na sociedade como um todo!

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Reprodução/TV Globo

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