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A nova revolta da vacina é contra a ignorância institucionalizada

Pouco mais de cem anos depois da chamada Revolta da Vacina, ocorrida no Brasil em 1904, numa tentativa desastrada de tornar a vacinação obrigatória no país, o país se vê às voltas da ignorância que rondava a época. Ainda hoje há negacionistas que insistem em considerar a imunização algo ruim e prejudicial. No início do século passado, havia quem dissesse que quem se vacinasse assumia feições bovinas. O boato contemporâneo é o de que a vacinação causa autismo. Até quando teremos de lutar contra tanta bobagem?

Outro dia li um artigo do advogado Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador da República aposentado e que integrou a força-tarefa da Lava Jato entre 2014 e 2018, que defende uma nova revolta da vacina. Desta vez, por uma responsabilidade, por testagens e por medidas profiláticas, tudo em razão, segundo ele, de um “combate mal administrado da pandemia por um governo obscurantista (…)”. Concordo. O grande combate de uma revolta da vacina é contra a ignorância de um povo, agora institucionalizada em um governo que faz de tudo para desmontar tudo o que há de bom à população.

Esse é o grande problema. Se outrora a revolta contra a vacinação obrigatória vinha de uma população mal informada e propensa à boataria – que, inclusive, correu para se vacinar contra a varíola em 1908, quando o Rio de Janeiro passou uma violenta epidemia da doença –, agora a ignorância vem do próprio governo. Do próprio presidente da República. Não se tem no país um plano detalhado de imunização contra o coronavírus, por exemplo. Aliás, não se tem uma política pública definida nem mesmo de compra das vacinas que estão sendo produzidas no mundo, colocando em risco a vida da própria população e comprometendo a saúde das pessoas.

Ao contrário, irresponsavelmente, autoridades receitam remédios vermífugos contra qualquer coisa. Na realidade, deveríamos nos proteger dos vermes que detém o poder e que trabalham na contramão do cuidado com a saúde pública. A verdadeira revolta da vacina de hoje não é contra a imunização obrigatória. É contra a ignorância vermífuga que paira sobre a consciência do povo. E aqui deixo alguma citações de pensadores ao longos dos últimos milênios e que podem nos ajudar a elucidar todas essas questões:

“Não há nada mais terrível que a Ignorância” (Johann Wolfgang von Goethe escritor e estadista alemão, 1749-1832);

“Se me perguntar o que é a morte! Respondo-te: a verdadeira morte é a Ignorância. Quantos mortos entre os vivos!” (Pitágoras de Samos, filósofo e matemático, 582-497, A.C.);

“A ignorância é a noite (escuridão) da Mente!” (Confúcio, filósofo chinês, 551-478, A.C.);

“A diferença entre um homem sábio e um homem ignorante é a mesma entre um homem vivo e um cadáver.” (Aristóteles, filósofo grego, 384-322, A.C.);

“Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância.” (Martin Luther King, pastor e ativista político norte-americano, 1929–1968).

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Bonde tombado pelos manifestantes da Revolta da Vacina. (CASA DE OSWALDO CRUZ/AGÊNCIA SENADO)

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1 comentário

  1. Boa matéria, muito refletiva parabéns.

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