A diferença entre os seres humanos é algo natural. Desde que nascemos, refletimos o quão diferentes somos uns dos outros. Isso faz parte da vida, constitui a própria essência humana. Entretanto, há um grande abismo entre a diferença e a desigualdade, potencializada pela vida em sociedade e aprofundada por questões que fogem à naturalidade, mas, que são construções sociais. Se é normal ser diferente, por que não é ser desigual?
Vamos aos exemplos. Desde que nascemos temos diferenças na cor da pele, na cor dos olhos, no tipo do cabelo, no formato do nariz, no tamanho e no peso, no tipo de órgão genital e em tantas outras características. Isso é natural. Não depende de nós. Por outro lado, se nascemos num hospital público ou particular, se temos condições financeiras para vestir determinada roupa ou não e coisas do tipo, já faz caracterizar a desigualdade em sociedade. E isso, sim, depende do ser humano.
Recorremos ao pensamento de Aristóteles, para quem o homem é constituído de essência e acidente, dentre outras características. A essência é a identidade que carregamos conosco, própria de nós mesmos, sem a qual não nos reconhecemos. Exemplo: o ser humano é um animal racional, é mamífero, bípede, entre outras. Já o acidente se refere a características que até podem ser naturais no ser humano, mas, não o definem quem seja e sem as quais continuamos sendo nós mesmos: cor da pele, altura, cor dos olhos, riqueza, pobreza, etc.
Dessa forma, ao entender e compreender conceitos filosóficos como esse, percebe-se que a desigualdade é uma construção social que poderia não existir. Porque, fazendo um paralelo com a teoria aristotélica, há coisas em sociedade que fazem parte da vida humana, mas, não nos definem: o tipo de carro, o tamanho da casa, a conta bancária e tantos outros itens. Portanto, a diferença entre os homens é algo natural e, embora a desigualdade seja construída, é possível conviver com ela sem prejudicar a vida humana, buscando, o máximo possível, diminui-la. E não aprofunda-la.
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
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