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Você é livre?

Direito de expressar qualquer opinião, de agir como quiser, de ter independência, licença ou permissão. Mais que isso, agir conforme o próprio livre-arbítrio. Do que estamos falando? De liberdade. Um conceito absoluto ou utópico? De qualquer forma, um assunto discutido pela filosofia durante séculos. E que sempre será motivo de debates e reflexões, porque vai se transformando com o tempo e se moldando à realidade existente.

A liberdade é uma realidade. Nem sempre absoluta, no entanto. Pelo simples fato de que pode variar de pessoa para pessoa, embora tenha traços comuns à moralidade social, ou seja, ao modo de pensar de cada sociedade. Acontece que no jargão popular “a nossa liberdade termina onde começa a do outro”. E é aí que reside a linha tênue entre o valor humano/universal e o pessoal. Porque, como vai dizer Friederich Nietzsche, nunca seremos totalmente livres porque nossa liberdade depende de certas condições.

Da filosofia clássica herdamos a ideia de que a liberdade é poder, pela razão, dominar sentimentos, necessidades, vontades e impulsos. Sócrates dá o pontapé inicial, concordado por seu discípulo Platão. Aristóteles, que foi aluno da Academia platônica, acrescenta a possibilidade de escolha, de decisão, de deliberação. Liberdade é, portanto, poder escolher suas próprias ações dentre as melhores alternativas possíveis.

Parte de um pensamento que será repetido na filosofia moderna, com o pai do racionalismo, o francês René Descartes. Para ele, liberdade significa avaliar racionalmente as alternativas possíveis para se tomar um decisão. Diferentemente dos contratualistas, um grupo de filósofos para quem o homem nasce livre no estado de natureza (estágio anterior à sociedade) e, por algumas razões e características ligadas à liberdade natural, decide criar a sociedade. São eles Thomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau e John Locke, teóricos que merecem colunas específicas.

É Nietzsche quem vai reflexionar sobre a utopia liberal, argumentando a impossibilidade de ser livre pela limitação causada pelas condições às quais estão submetidos os seres humanos, sejam elas de ordem natural, legal, social, de relações de poder, de interpretações do mundo e outra infinidade de exemplos.

Poderíamos, por fim, dar uma pincelada em Jean Paul-Sartre (somos condenados à liberdade porque não escolhemos nascer, mas nascemos livres e isso implica em responsabilidade de ações e renúncia de outras possibilidades); Hannah Arendt (A liberdade plena não é uma experiência particular, mas relacionada às outras pessoas); e Michel Foucault (a dominação social por diversas dimensões limita a liberdade). E aí, você realmente é livre?

foto: Pixabay

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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