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Antes a morte que a renúncia da sabedoria

“(…) seja eu absolvido ou não, saibam que não alterarei minha conduta, mesmo que tenha de morrer cem vezes” (Sócrates)

Acusado de corromper a juventude, de não adorar aos deuses e de muitas outras coisas incompreendidas pela sociedade da época, Sócrates foi condenado à morte justamente por ser um “ponto fora da curva” em Atenas. Era um filósofo. Aliás, hoje considerado o mais importante de todos os tempos. E mesmo assim sucumbiu à ignorância ou aos interesses egoístas de uma classe dominante retrógrada e não preparada para receber críticas ou ser questionada.

Nós, filósofos, às vezes somos assim: incompreendidos. O que nos rendem injustiças de muitas formas. Mas, sobretudo, precisamos manter firmes nossos pensamentos, ideais ou argumentos. Sábia atitude que deveria ter todo mundo, principalmente os que ocupam posições importantes e de relevância para determinar o futuro de uma cidade, de uma sociedade. Afinal, a justiça sempre prevalece, não importa o tempo que passe.

Quem tem firmes essas convicções dentro de si, consegue atravessar qualquer obstáculo. Inclusive a morte. Porque tem lúdica a ideia de que não são os homens que julgam quem está certo ou errado. Assim foi com Sócrates, condenado a beber uma tacinha de cicuta, um veneno que paralisa todos os órgãos do corpo, até levar a pessoa à morte. Rodeado de amigos e discípulos, entre eles Platão, um dos mais importantes, Sócrates poderia ter escapado à morte.

Entretanto, se fugisse, jamais escaparia à sua consciência. Não conseguiria dormir em paz nem tampouco manter firme seu pensamento. O filósofo fez uma escolha: preferiu renunciar à vida que à sua filosofia. Antes a morte que a corrupção do pensamento. E talvez seja justamente isso que o tenha tornado importante a ponto de, mais de 2,5 mil anos depois, continuarmos a estudar suas ideias, mesmo jamais tendo escrito uma linha sequer.

E assim seguimos o exemplo de Sócrates. Conhecendo o bem, praticando-o e jamais renunciando a essa filosofia pela incompreensão das pessoas que nos rodeiam ou que se incomodam. Posso morrer (física ou socialmente), mas meu pensamento sobreviverá e será um legado para outras gerações.

Foto: Visual Hunt

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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